Publicação do Palácio do Planalto diz que principal adversário de Lula legitimou acusações dos EUA contra o Brasil e cita casos do Master e das fraudes do INSS que não tem relação com o tarifaço de Trump
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou uma nota em tom eleitoral nesta 3ª feira (7.jul.2026) na qual critica fortemente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por ter ido aos Estados Unidos falar na audiência pública realizada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). Flávio é o principal adversário de Lula na disputa pelo Planalto neste ano.
A nota de Lula foi emitida pela Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República. Logo no 1º parágrafo o texto diz que “o governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro” na audiência do USTR nesta 3ª feira. Leia a íntegra da nota aprovada por Lula (PDF – 109 KB). A partir do início de julho, por determinação da lei, começou o chamado período de defeso eleitoral, quando nenhum governo pode usar a estrutura da administração pública para divulgar propagandas ou comunicados que tenham conotação de proselitismo com fins eleitorais.
Com 14 parágrafos e 532 palavras, o texto do Planalto diz que “entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro”.
“Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país. O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro”, acusa a nota.
O texto do Planalto diz que Flávio “defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital”. E, sobre esse tema, concluiu: “Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes”.
Essa opinião do Planalto se refere ao fato de a oposição no Brasil ser contra decretos e projetos de lei assinados por Lula em 20 de maio de 2026 determinando que big techs removam conteúdos com o objetivo, no entender do governo, de proteger mulheres no ambiente on-line e responsabilizar a plataformas digitais por conteúdos que caracterizem crime. Os critérios para esse tipo de operação não são claros e as big techs precisam agir contra determinadas publicações, mesmo sem ordem judicial.
Num determinado trecho da nota da Secom de Lula, o Planalto menciona um tema que tem sido usado de forma intensa na pré-campanha eleitoral: o caso do Banco Master.
“Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai”, diz o texto aprovado por Lula.
Na realidade, há hoje uma disputa sobre quem são todos os políticos envolvidos com o caso Master. O banco que foi de Daniel Vorcaro só prosperou depois de uma associação com um esquema de crédito consignado originado na Bahia, Estado governado pelo PT há décadas. O senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo de uma das fases da Operação Compliance Zero, que investiga o Master.
O texto do Planalto prossegue em tom eleitoral, tratando de um assunto que não tem relação com o caso do tarifaço dos EUA: “Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro. Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários”.
A nota da Secom afirma que, ainda nesta 3ª feira, funcionários dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Justiça e do Palácio do Planalto tentavam um diálogo com técnicos do USTR para evitar a implementação do tarifaço.
TARIFAÇO
A discussão de um possível tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros começou em fevereiro de 2025, com a aplicação de uma taxa de 25% sobre o alumínio e o aço brasileiros. Em junho de 2026, o assunto voltou à tona com a proposta do presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano) de taxar uma longa lista de produtos importados do Brasil, também em 25%.
A justificativa para a medida, segundo Trump, foi a constatação do uso, pelo Brasil, de práticas consideradas “desleais” e prejudiciais para a economia norte-americana. Leia a íntegra da decisão, em inglês (PDF – 915 KB).
O USTR, que conduziu a investigação sobre as práticas, listou como alvos da apuração temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Segundo uma afirmação da CNI (Confederação Nacional da Indústria) na última 2ª feira (6.jul), 4.187 produtos exportados pelo Brasil serão afetados caso os EUA implementem o tarifaço.













