Montadoras fazem ultimato a Lula após BYD pedir volta de benefícios fiscais


Nos bastidores, executivos do setor afirmaram que, além da carta, a Anfavea prepara um ultimato ainda mais enfático ao governo: se as operações CKD e SKD continuarem a serem “incentivadas”, até mesmo montadoras tradicionais, como Chevrolet, Fiat e Volkswagen, podem priorizar a importação de kits de carros chineses em vez de investir no desenvolvimento de novos produtos nacionais.

Na carta protocolada na Presidência da República na quinta-feira (19), assinada por Igor Calvet, presidente da Anfavea, a instituição afirma que a manutenção das regras é fundamental para garantir segurança jurídica, previsibilidade regulatória e um ambiente concorrencial equilibrado.

A entidade também pede que o governo não crie novas cotas de importação nem ex-tarifários que possam produzir efeitos semelhantes à postergação do cronograma tarifário. Quem endossou o discurso, foi o presidente da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, em conversa com o UOL Carros.

“A Volkswagen respeita e apoia a livre concorrência. O Brasil é um mercado aberto e todas as montadoras que desejam investir, produzir e crescer no País são bem-vindas. O que defendemos é algo muito simples: regras iguais para todos”, afirmou.

“O cronograma de recomposição tarifária para veículos CKD e SKD foi amplamente debatido, definido pelo Governo Federal e considerado por toda a indústria em seus planejamentos estratégicos e decisões de investimento. Alterar essas condições, por meio de medidas excepcionais que beneficiem casos específicos, compromete a previsibilidade regulatória, gera insegurança jurídica e afeta a competitividade da indústria automotiva como um todo. O Brasil precisa continuar estimulando quem produz, desenvolve fornecedores, gera empregos e investe no longo prazo”, completou.

Segundo o executivo, o país já acumula mais de 329 mil veículos importados estocados nos portos brasileiros.





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