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Robinho não é caso isolado: outro clube da Série A tem jogador condenado por violência contra mulher

Wesley Piontek foi condenado a uma pena de um ano e quatro meses em regime aberto por agredir sua então namorada

Por Lívia Laranjeira — São Paulo

14/10/2020 09h00  Atualizado há uma hora


No último domingo, enquanto a imprensa e a sociedade comentavam o anúncio feito pelo Santos sobre a contratação do atacante Robinho, condenado em primeira instância por estupro coletivo na Itália, outro jogador fazia sua estreia na Série A do Campeonato Brasileiro de 2020. Sem chamar muita atenção, o atacante Wesley Pionteck, do Bragantino, ficou em campo durante 32 minutos na derrota por 2 a 1 para o Atlético-GO. null

Alguns dias antes, na quinta-feira, Wesley foi parar na delegacia em Bragança Paulista. De acordo com o Boletim de Ocorrência, ele foi abordado por policiais que identificaram um mandado de prisão expedido contra o jogador. 

Wesley, do Bragantino, foi condenado por violência contra a então namorada — Foto: Ari Ferreira/Bragantino

Wesley, do Bragantino, foi condenado por violência contra a então namorada — Foto: Ari Ferreira/Bragantino 

Em outubro do ano passado, Wesley foi condenado a uma pena de um ano e quatro meses em regime aberto por lesão corporal em violência doméstica depois de agredir a sua então namorada. A defesa do jogador recorreu da decisão, e a condenação foi mantida em segunda instância. A sentença já transitou em julgado, o que significa que é definitiva. 

Segundo o advogado de defesa do jogador, José Eduardo Marchió da Silva, o comunicado de foragido que fez com que Wesley fosse encaminhado à delegacia na última semana foi um equívoco, já que o atacante não tinha sido intimado a se apresentar. https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

O Bragantino deu uma justificativa diferente para a situação: “Como cumpre regime aberto, ele deve informar seu paradeiro periodicamente. Quando estava atuando, por conta das viagens, essa comunicação era feita pelo clube. Como o atleta estava sem jogar desde janeiro por conta de uma lesão, a comunicação não foi realizada e automaticamente é gerado um aviso à polícia sobre a situação”, explicou o clube por meio de sua assessoria de imprensa. 

Retorno de Robinho ao Santos levantou o debate sobre atenção de clubes à questão da violência contra mulher — Foto: Santos F.C

Retorno de Robinho ao Santos levantou o debate sobre atenção de clubes à questão da violência contra mulher — Foto: Santos F.C 

Wesley foi liberado na própria quinta-feira depois de prestar esclarecimentos. Agora, diz seu advogado de defesa, vai seguir a carreira de jogador normalmente. 

A agressão pela qual Wesley foi condenado aconteceu em janeiro de 2019. Segundo consta dos autos do processo, o jogador causou lesões corporais graves na então companheira e a ameaçou. A vítima afirmou que era agredida desde o começo do relacionamento e que, na noite em questão, Wesley a golpeou com uma faca. Os policiais militares que atenderam ao chamado relataram que a mulher estava ensanguentada. Quando interrogado, o atleta disse que “perdeu a cabeça” por ciúme. https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Naquela época, o atacante pertencia ao Botafogo-SP e estava emprestado ao Santos. Oito dias após o caso, um novo contrato de empréstimo, dessa vez com o Bragantino, foi publicado no BID, o Boletim Informativo Diário da CBF. A atual gestão assumiu o clube em abril de 2019, e alega que, à época, não tinha ciência sobre o processo envolvendo Wesley. Ainda no ano passado, o jogador comunicou a diretoria a respeito da situação. 

Sobre ter no elenco um atleta condenado por violência doméstica, o Bragantino respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que “a pena imposta pela Justiça vem sendo cumprida exatamente como determinada e não há reincidência por parte do jogador. O clube acompanha o caso e acredita que uma rescisão de contrato vigente ou algo semelhante acabaria com qualquer chance de reintegração do indivíduo perante a sociedade.”

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