Alceu Valença chega tinindo às telas para celebrar seus 80 anos e meio século do disco ‘Vivo’

Diretor de filmes como “Baile perfumado” (de 1996, com histórias de Lampião ao som de Chico Science & Nação Zumbi) e do onírico documentário “Cartola: música para os olhos” (2007), o pernambucano Lírio Ferreira paga com “Vivo 76” uma espécie de dívida com o conterrâneo Alceu Valença, artista que já vinha modernizando o passado musical de sua terra quase 20 anos antes de Chico e do movimento Mangue Bit.

— Alceu é um cara muito importante nisso, de pegar Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e aquelas coisas do universo dele, de feiras, aboiadores, cantadores, repentistas e cordelistas, e colocar isso numa outra amplitude — conta Lírio, que estreia seu filme no É Tudo Verdade — Festival Internacional de Documentários, com sessões gratuitas no sábado, às 17h30 e 18h30, no Estação NET Rio, e outras em São Paulo (dia 17, às 20h, na Cinemateca Brasileira; e 18, às 16h, no Instituto Moreira Salles).

A intenção original de fazer “Vivo 76” remonta a mais de década, quando Lírio tinha voltado a morar em Recife e, junto com o diretor Cláudio Assis, planejava fazer algo para comemorar os 40 anos de “Vivo”, disco de Alceu gravado no Teatro Tereza Rachel, no Rio, e lançado em 1976. Até o filme ficar pronto (porque, entre outras atribulações, havia o fato de o cantor e compositor ser um trabalhador incansável), Lírio acabou conseguindo pegar as efemérides dos 50 anos do disco e dos 80 de Alceu.

— A gente tinha essa dúvida se estava fazendo um filme mais para o disco ou para o show do disco, o “Vou danado pra Catende”. Mas, na verdade, o filme estava mesmo é na gênese dessa história que acaba em 1976. É o processo de criação de um personagem, mistura de Alceu criança em São Bento do Una, ele palhaço de circo, ele espantalho no filme do Sérgio Ricardo (“A noite do Espantalho”, de 1974), ele jogador de basquete, ele advogado… é essa colcha de retalhos — define Lírio. — Alceu pegou esses pedaços e foi construindo essa persona que, 50 anos depois do disco, as pessoas ainda veem assim.

Disco “estranhíssimo” (“porque não se gravava muito ao vivo naquela época, ainda mais com um cara mais jovem… e tem todas as coisas que cercam aquele LP, mistérios, malassombros”, diz o diretor), “Vivo” acabou encapsulando uma história que é contada, por “Vivo 76”, entre o passado e o presente.

Lírio reuniu arquivos entre os clipes musicais que Alceu, como contratado da gravadora Som Livre, gravou para o programa Fantástico; registros do show no Tereza Rachel, em Super-8, feitos pelo fotógrafo Mário Luiz Thompson; e imagens “que conversam com os assuntos daquela época”. Entre 2023 e 2024, ele registrou encontros de Alceu com parceiros e viagens a paisagens do passado.

— Tem aqueles eternos retornos do Alceu, com imagens de arquivo e com ele nos dias atuais. É essa coisa embolada do tempo. Ele pode estar com 80 ou com 8 anos, e o cinema talvez seja a linguagem que é ideal para se fazer isso — diz o diretor. — É um privilégio e uma honra de ter essa pessoa e de poder cinebiografá-la de maneira livre, como acho que é a obra dele.

— O bicho não para quieto, né? E obviamente que, a gente dirigindo o filme, ele metia o dedo, abusava… É muito difícil rodar na mesma energia de Alceu, é uma coisa para poucos, porque ele é radioativo mesmo, e a gente tenta chegar perto. Quem conhece Alceu conhece, ele é danado — admira-se.

Fonte: Globo.com

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