A Assembleia Legislativa do Amazonas aprovou o Projeto de Lei nº 345/2026, que transforma a atual Companhia de Operações Especiais (COE) em Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Amazonas. A matéria, oriunda de mensagem governamental, altera a Lei nº 3.514/2010, que trata da organização básica da PM-AM, e agora segue para sanção do governo estadual.
A proposta atende a uma indicação apresentada pelo deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), presidente da Comissão de Segurança Pública da Aleam e ex-comandante-geral da Polícia Militar. Em 2024, o parlamentar protocolou requerimento solicitando ao governo a elevação da COE à condição de batalhão, com o argumento de ampliar a capacidade operacional da tropa especializada.
A mudança tem impacto administrativo e operacional. Como batalhão, a unidade passa a ter estrutura mais robusta, maior autonomia e melhores condições para planejamento, treinamento e execução de operações de alta complexidade. O novo BOPE deverá atuar em gerenciamento de crises, operações em áreas de difícil acesso, ações de alto risco e enfrentamento a organizações criminosas.
O Amazonas tem desafios específicos na segurança pública. O Estado possui extensa fronteira internacional, grande malha hidroviária e presença crescente de facções ligadas ao tráfico de drogas, armas, garimpo ilegal e rotas transnacionais. Nesse cenário, uma tropa especializada pode aumentar a capacidade de resposta em situações críticas.
O ponto de atenção é que a criação do BOPE não pode ser tratada como solução única. Operações especiais são necessárias, mas segurança pública também exige inteligência, investigação financeira, presença permanente no interior, integração entre forças policiais e controle sobre as cadeias econômicas do crime.
A aprovação na Aleam representa avanço institucional para a PM-AM, mas a sociedade deve acompanhar os próximos passos: orçamento, efetivo, treinamento, equipamentos, protocolos de atuação e mecanismos de controle. Segurança pública eficiente não se mede apenas pela criação de uma nova estrutura, mas pela redução real da violência e pela proteção efetiva da população.













