Cartórios no Amazonas cobram caro para emitir nova identidade gratuita


A recente habilitação de 12 cartórios em Manaus para a emissão da carteira de identidade nacional (CIN) escancara uma falha estrutural do poder público.

Apresentada como uma alternativa de conveniência, a medida se consolida, na prática, como uma ação oportunista que onera o bolso do cidadão brasileiro.

O documento, idealizado para ser emitido a todo brasileiro gratuitamente, esbarrou de frente na falta de preparo e planejamento dos governos para dar vazão à demanda nacional e local.

No Amazonas, a tentativa de garantir a nova identidade pelos meios oficiais tornou-se um teste de resistência. Conseguir uma vaga no sistema de agendamento digital do estado é uma tarefa descrita pela população como quase impossível.

A escassez de horários nas plataformas governamentais, no entanto, contrasta com a facilidade encontrada no mercado paralelo.

Denúncias encaminhadas por leitores ao BNC Amazonas apontam que, de forma no mínimo estranha, estabelecimentos como lan houses na capital conseguem reservar vagas no sistema oficial de agendamento sem maiores dificuldades.

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Mercado clandestino e oportunista

Para que o cidadão tenha acesso a esse horário, é exigido o pagamento de uma taxa informal, configurando a mercantilização de um serviço público essencial e levantando graves suspeitas sobre a vulnerabilidade e o controle da plataforma estadual.

A transferência do serviço para a iniciativa privada não corrige o déficit de atendimento e de tecnologia do estado; apenas cria uma rota expressa e paga para um direito fundamental.

Ao final, a população arca duplamente com o custo da ineficiência governamental: paga os impostos que deveriam garantir o serviço gratuito e, diante do apagão digital, é forçada a tirar dinheiro do próprio bolso, seja nos balcões dos cartórios ou nas mesas das lan houses, para garantir o acesso básico à cidadania.

Confira quanto os cartórios querem cobrar pela carteira de identidade criada pelo governo federal para ser gratuita.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil



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