Embora seja raro, homens também podem ter lipedema; conheça os sintomas


O lipedema é frequentemente associado apenas a mulheres. De fato, elas representam a grande maioria dos diagnósticos. Mas você sabia que homens podem ter lipedema? A informação é importante porque a crença de que a doença atinge apenas a população feminina pode impactar o acesso ao tratamento em pacientes do sexo masculino.

Segundo Leandro Pablos Rossetti, cirurgião vascular, especialista em lipedema e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), uma revisão sistemática recente estimou uma prevalência de aproximadamente 0,2% na população masculina. “Apesar de raro, o lipedema também está presente nos homens e provavelmente permanece subdiagnosticado”, destaca.

O especialista diz que o desconhecimento sobre o lipedema masculino faz com que muitos pacientes recebam outros diagnósticos, como obesidade, linfedema ou insuficiência venosa crônica. “Em muitos pacientes, o aumento do volume dos membros é atribuído apenas ao excesso de peso, retardando o diagnóstico correto”, afirma.

Outro fator é que muitos homens procuram atendimento apenas em fases mais avançadas da doença, quando já apresentam maior limitação funcional ou desconforto. “A escassez de estudos e a ausência de critérios diagnósticos específicos para essa população também contribuem para que a doença permaneça pouco reconhecida”, complementa.

De acordo com o médico, com a ampliação das pesquisas e o maior conhecimento sobre o tema, espera-se que mais homens sejam diagnosticados precocemente, permitindo um tratamento mais adequado e melhor qualidade de vida.

 

O que é o lipedema?

O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo caracterizada pelo acúmulo anormal e desproporcional de gordura, principalmente nos membros inferiores e, em alguns casos, também nos braços. Esse aumento de volume ocorre de forma simétrica, acometendo os dois lados do corpo de maneira semelhante, e costuma ser acompanhado de dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso e facilidade para hematomas.

“Uma característica importante é que o lipedema preserva as mãos e os pés, o que ajuda a diferenciá-lo de outras doenças. No linfedema, por exemplo, é comum o comprometimento dos pés e, frequentemente, o quadro é unilateral ou mais acentuado em um dos membros”, explica Rossetti. 

Já na obesidade, o aumento do tecido adiposo costuma ocorrer de forma mais difusa, incluindo mãos, pés e outras regiões do corpo. Outra diferença é que a gordura do lipedema costuma ser resistente à perda de peso, mesmo com dieta e atividade física. 

Além disso, a prova de que o lipedema é diferente de obesidade é clara: emagrecer nem sempre resolve o problema

“Quem emagrece perde [gordura] no rosto, tronco e braços, mas as áreas afetadas quase não mudam — às vezes a desproporção até aumenta. Emagrecer ajuda a saúde e evita piora, mas sozinho não corrige o lipedema”, afirma Leandro Faustino, cirurgião plástico da Revion International Clinic.

Contudo, é importante destacar que é muito comum o paciente ter lipedema e obesidade ao mesmo tempo. “Uma mascara a outra e a obesidade agrava o lipedema. Nos homens, isso pesa ainda mais: o excesso de gordura desequilibra os hormônios e o lipedema masculino costuma aparecer justamente em contextos de testosterona baixa ou alteração hormonal”, completa o médico. 

Veja também: Por que emagrecer não resolve o lipedema?

 

Alterações hormonais e demora no diagnóstico

Nas mulheres, o lipedema costuma surgir ou se agravar em períodos de importantes mudanças hormonais, como a puberdade, a gestação e a menopausa. Já nos homens, os casos descritos na literatura estão frequentemente associados a condições que alteram o equilíbrio hormonal, como hipogonadismo, síndrome de Klinefelter, cirrose hepática e outras situações com aumento relativo da ação estrogênica.

“Muitos pacientes demoram a procurar atendimento por não imaginarem que seus sintomas possam estar relacionados ao lipedema. Quando procuram assistência médica, essa hipótese diagnóstica nem sempre é considerada, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento”, afirma Rossetti. 

Segundo o especialista, esse viés também pode levar à banalização dos sintomas, fazendo com que a dor, o aumento desproporcional dos membros e a limitação funcional sejam atribuídos apenas ao excesso de peso ou ao sedentarismo. 

“O atraso no diagnóstico ainda pode trazer repercussões emocionais e sociais, como frustração, insegurança e redução da qualidade de vida”, pontua. 

 

Tratamento do lipedema

Quando o tratamento conservador — que inclui compressão, drenagem, exercícios físicos e controle de peso — não é suficiente para controlar os sintomas do lipedema, pode ser necessária a cirurgia de lipoaspiração especializada, que preserva os vasos linfáticos. 

Segundo Faustino, os sinais de alerta para procurar um cirurgião são dor persistente, piora do volume e da desproporção e limitação para se movimentar. 

Nas áreas tratadas, o resultado é duradouro. Entretanto, por se tratar de uma doença crônica, sem cura definitiva, ela pode progredir em outras regiões sem os cuidados de manutenção, o que reforça a importância das consultas de reavaliação.

Veja também: 10 mitos e verdades sobre lipedema





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