Homicídios de indígenas mais que dobram no Amazonas em 2024, aponta Anuário de Segurança Pública


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(Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Manaus (AM) – O Amazonas registrou um aumento de 102,8% no número de homicídios de indígenas entre 2023 e 2024, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Os registros passaram de 36 para 73 casos em apenas um ano, consolidando o estado entre os principais focos de agravamento da violência contra povos indígenas no país.

O crescimento foi muito superior ao observado nacionalmente. Em todo o Brasil, os homicídios de indígenas aumentaram 9,3% no período, passando de 227 para 248 casos.

No Amazonas, a alta superou 100%, o que levou o estado a responder por quase três em cada dez homicídios de indígenas registrados no país em 2024.

Além do avanço em números absolutos, a taxa de homicídios apresentou crescimento ainda mais expressivo. O indicador saltou de 21,4 para 47,8 homicídios por 100 mil indígenas entre 2023 e 2024, uma variação de 123,4%.

De acordo com a análise apresentada no anuário, a Região Norte tem registrado a consolidação de estados com elevada incidência de violência e crescimento recente dos indicadores.

O Amazonas aparece como um dos casos mais emblemáticos desse cenário. Segundo o levantamento, o número de homicídios registrados no estado duplicou em apenas um ano, sinalizando um agravamento da violência contra a população indígena.

A evolução recente chama atenção porque o estado vinha apresentando relativa estabilidade nos anos anteriores. Entre 2019 e 2023, os registros oscilaram entre 36 e 49 casos anuais.

Em 2024, contudo, houve uma ruptura dessa trajetória, com o maior número de homicídios de indígenas da série histórica apresentada pelo anuário.

O contraste fica evidente quando o Amazonas é comparado a outros estados da própria Região Norte. O Pará, por exemplo, apresentou uma trajetória de redução ao longo da última década. A taxa de homicídios de indígenas caiu de 71,9 por 100 mil habitantes em 2014 para 9,0 em 2024, o que representa uma redução de 87,5%.

Em números absolutos, o Pará passou de 11 homicídios registrados em 2014 para cinco em 2024. Apesar da tendência de queda, o estado apresentou oscilações ao longo do período. Em 2020, por exemplo, os registros chegaram a 14 casos, acima dos níveis observados em diversos outros anos da série.

Segundo a análise do anuário, esse comportamento indica que, embora a redução tenha se consolidado ao longo dos anos, a dinâmica da violência no Pará permaneceu instável e sujeita a variações conjunturais.

Os dados nacionais também mostram que a violência letal contra indígenas continua acima da observada para a população brasileira em geral. Em 2024, a taxa registrada entre indígenas foi de 24,6 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto a taxa geral do país ficou em 20,1 por 100 mil.

Embora ambos os indicadores estejam abaixo dos níveis observados no início da série histórica, o crescimento registrado em estados como o Amazonas demonstra que a violência contra povos indígenas segue avançando em áreas específicas do território nacional.

 

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