“Não consegui pagar a vacina”, desabafa mãe de menino diagnosticado com meningite em Cuiabá


AMANDA PAIM

DA REDAÇÃO

Antony Martins Alves, de 5 anos, é mais um caso confirmado de meningite em Mato Grosso. Internado desde o dia 5 de maio na Santa Casa de Cuiabá, ele foi diagnosticado com meningite bacteriana no mesmo dia em que passou mal e deu entrada no hospital.

Nas redes sociais, a mãe, Mayara Martins Reis Alves, de 37 anos, compartilha o dia a dia cansativo no hospital, mas mantém viva a esperança de ver o filho recuperado.

Em entrevista exclusiva ao MidiaJur, ela contou os desafios, a dificuldade e o medo que tem enfrentado durante o tratamento do filho, além da luta para alertar outras famílias sobre a falta da vacina contra a doença na rede pública.

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Os primeiros sintomas apareceram de repente: dor de cabeça forte, febre alta, vômito e muita sonolência. Mayara levou Antony ao hospital no dia 5 de maio. No mesmo dia, os exames confirmaram: meningite bacteriana.

Desde então, o menino está internado em isolamento na Santa Casa de Cuiabá, recebendo tratamento com antibióticos. O quadro, que assustou a família no início, agora mostra sinais de melhora.

Exames indicam evolução

Os exames de Antony mostram que o tratamento está fazendo efeito. “A doutora passou de manhã e, graças a Deus, o medicamento que ele está tratando da meningite bacteriana está fazendo efeito”, comemorou a mãe.

Segundo Mayara, o tratamento deve durar de 10 a 15 dias com antibiótico, e a criança permanecerá internada com distanciamento dos outros pacientes durante todo esse período.

A mãe relatou que tem dois outros filhos, Izaac, irmão gêmeo de Antony, e Elyza de 8 anos. O gêmeo também apresentou febre, mas a médica descartou possibilidade de meningite. A menina não teve sintomas.

A luta pela vacina que não chega ao SUS

Sobre a vacinação de Antony, a mãe garante que está em dia, mas a sua principal queixa de Mayara é a falta de acesso à vacina contra a meningite bacteriana na rede pública. Ela pesquisou e descobriu que o imunizante custa entre R$700 e R$ 800 por dose na rede privada.

“As vacinas que o SUS disponibiliza para tomar gratuito estão em dia, porém essa vacina da meningite bacteriana só tem na rede privada e não consegui pagar para os meus filhos”, desabafou.

Ela defende que a vacina deveria ser incorporada ao calendário vacinal do SUS. “Creio que tem que informar a todos que tem sim uma meningite bacteriana que está aí. Então tem que alertar as pessoas e que essa vacina venha para a rede pública”, afirmou.

Os gêmeos têm suporte nível 2 de autismo. Mayara revelou que evita levar as crianças a locais barulhentos, mas eles frequentam a escola regularmente – local apontado como provável fonte de contaminação.

“Eu não estou com nenhum sintoma, meu esposo também não. Quem apresentou foram eles. Então, provavelmente foi na escola. Eles não quase não vão a outros lugares porque são autistas, então eu evito levar por conta do barulho. Mas assim, eles frequentam sem falta a escola”, explicou.

Mayara fez questão de destacar que o atendimento na Santa Casa tem sido bom. Ela e o filho estão em isolamento, recebem alimentação separada e contam com acompanhamento de assistente social e da vigilância sanitária da prefeitura de Cuiabá.

“Em questão do hospital, nós estamos sendo assistidos sim. Assistente social veio, o pessoal da vigilância sanitária da prefeitura de Cuiabá veio aqui também, fez uma entrevista com a gente. O hospital está tendo suporte”, relatou.

Alerta para outros pais

Mayara faz um alerta para outros pais: nem sempre os profissionais de saúde levam a sério os sintomas iniciais, confundindo com bronquite ou influenza, doenças comuns no período.

“Teve mãe que falou: ‘ah, é só uma virose, não é nada’. Então tem tudo isso. Tem que ser bem explicado: deu dor de cabeça, deu vômito, ficou com fraqueza, ficou muito sonolento, tem que insistir e fazer exames de sangue. Passar pelo médico. Porque está lotado de pessoas, crianças com bronquite e influenza. Então, tem que fazer exames para confirmar. Não pode só vir falar que é uma bronquite ou uma influenza sendo que a coisa está bem pior”, alertou.

Casos de meningite em Cuiabá e MT

O número de casos confirmados de meningite em Mato Grosso subiu para 32 neste ano. Os diagnosticados são de 15 cidades. Cuiabá lidera com 7 casos, seguida por Várzea Grande (5) e Rondonópolis (4).

Das 8 mortes, três ocorreram em Cuiabá, duas em Sorriso, duas em Sinop (crianças) e uma cidade não foi divulgada. Os dados são da Secretaria de Saúde de Mato Grosso (SES-MT).

Alerta para os sintomas

Febre alta súbita, dor de cabeça intensa, vômitos, rigidez no pescoço, sonolência, irritabilidade, confusão mental, sensibilidade à luz, manchas na pele e convulsões.

Ao apresentar os sintomas, procure imediatamente uma UBS, UPA ou policlínica.

 

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