
O bilionário das big techs Peter Thiel, um dos principais financiadores de Donald Trump e figura influente da extrema-direita americana, está aprofundando suas raízes na Argentina de Javier Milei — e os motivos vão muito além de negócios ou turismo.
Segundo o New York Times, Thiel passou a enxergar a Argentina como uma espécie de “Plano B” caso os Estados Unidos entrem em declínio político, econômico ou até civilizacional.
O investidor, conhecido por suas visões apocalípticas sobre o futuro, está preocupado com o rumo dos EUA, especialmente da Califórnia, onde propostas de taxação sobre bilionários avançam no debate público.
Alguns dos maiores criminosos nazistas fugiram para a Argentina após a Segunda Guerra Mundial: Adolf Eichmann, responsável pela logística do Holocausto; Josef Mengele, conhecido pelos experimentos médicos em Auschwitz; e Erich Priebke, envolvido nos massacres de Roma. Outros nomes incluem Alois Brunner, Gustav Wagner e Franz Stangl, todos ligados a campos de concentração e acusados de crimes de guerra.
Nas últimas semanas, Thiel participou discretamente de um torneio de xadrez em Buenos Aires, comprou uma mansão em um dos bairros mais caros da capital argentina e intensificou reuniões com o presidente Javier Milei e integrantes do governo ultraliberal.
No torneio de xadrez, frequentado normalmente por estudantes, crianças e trabalhadores locais, o bilionário chamou atenção ao disputar partidas em mesas simples. Segundo testemunhas, “ele não jogou mal” e terminou em terceiro lugar.
A aproximação entre Thiel e Milei não é casual. Ambos compartilham uma visão profundamente crítica do Estado, entusiasmo pelo ultraliberalismo econômico e preocupações sobre o futuro das democracias ocidentais. Em jantares privados organizados em Buenos Aires, Thiel chegou a discutir temas como o Anticristo — uma de suas obsessões.
A mudança também reforça o fascínio crescente de setores da elite tecnológica americana por líderes fascistas. Milei, que transformou a Argentina em laboratório de choque neoliberal, virou uma espécie de símbolo para empresários bilionários desiludidos com Washington e o establishment tradicional.
O empresário já coleciona “países de reserva” há anos. Nascido na Alemanha e criado nos EUA, obteve cidadania da Nova Zelândia em 2011 e solicitou passaporte de Malta em 2022. Agora, a Argentina pode se tornar mais uma peça de sua estratégia de sobrevivência global.
Entre os temores frequentemente manifestados por Thiel estão guerras nucleares, colapso institucional no Ocidente e o avanço descontrolado da inteligência artificial. Na visão do magnata, a Argentina oferece algumas vantagens estratégicas: distância geográfica dos grandes centros de conflito do Hemisfério Norte, abundância de recursos naturais e relativa estabilidade territorial.
Enquanto a mario parte da população argentina enfrenta recessão, inflação e cortes drásticos promovidos pelo governo Milei, figuras como Peter Thiel enxergam o país como refúgio ideal para atravessar um eventual colapso global.













