Por que especialistas em câncer estão falando tanto de drogas com GLP-1?


Segundo ela, os próprios corticoides que fazem parte do tratamento estimulam o apetite, alteram o metabolismo e criam resistência à insulina. “Sem contar que, é natural, a mulher fica mais ansiosa, psicologicamente abalada. Com isso, pode muitas vezes descontar na comida nos dias bons, quando a quimioterapia dá uma trégua nas sensações de fadiga e enjoo”, observa.

Ela lembra ainda que algumas mulheres se exercitam menos, porque se sentem debilitadas. O comportamento mais sedentário está no combo do ganho de peso. “E muitas vezes temos de manter essas mulheres em uma menopausa antecipada”, acrescenta. “Nesse contexto, contar com uma medicação capaz de minimizar o acúmulo de gordura e as mudanças metabólicas é algo relevante.”

No entanto, fique claro: não existem dados de segurança sobre o uso do GLP-1 durante a quimioterapia. “Eu nem indicaria o medicamento nessa etapa, porque a gente somaria toxicidade, podendo haver maior indisposição gastrointestinal”, comenta Heloísa Veasey.

Em sua opinião, na fase posterior do tratamento, o GLP-1 pode ser cogitado, desde que exista uma equipe multidisciplinar, contando com endocrinologista, nutricionista e profissionais de educação física para orientar exercícios, evitando a perda de massa magra com o processo de emagrecimento.

Shen, do Memorial, concorda que não adianta dar o remédio, tanto no câncer de mama como em outros tumores, sem mudanças no estilo de vida. “Mas, sobre a segurança após a quimioterapia, nenhum estudo mostrou algo ruim ou diferente. O remédio não aumentou o risco de metástases, por exemplo”, informa.

O GLP-1, até o momento, tampouco mostrou o contrário, que seria capaz de diminuir o perigo de um câncer se espalhar ou desacelerar a sua progressão. Os trabalhos, nesse ponto, ainda são bem controversos. O jeito é aguardar novos congressos. Porque, pelo jeito, o GLP-1 continuará firme na programação dos eventos de oncologia.



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