Foram R$ 519 milhões, puxados pelas saídas de Gerson (R$ 160 milhões) e Alcaraz (R$ 112 milhões), o que ajudou a bancar um investimento também recorde, de R$ 636 milhões em reforços, como Samuel Lino, contratado por R$ 195 milhões. No consolidado, o faturamento chegou a R$ 2,09 bilhões, alta de 49% e recorde histórico, com superávit de R$ 336 milhões e o maior patrimônio líquido do futebol brasileiro: R$ 954 milhões, números que o colocaram entre os 20 cliubes de maior receita do mundo.
O apogeu de 2025 ganhou um capítulo novo já na primeira janela de 2026: o Flamengo trouxe de volta Lucas Paquetá, formado no próprio clube e nome recorrente na seleção brasileira, junto ao West Ham, por cerca de R$ 315,7 milhões, aproximadamente 52 milhões de euros, já contabilizados impostos e comissões de intermediação. A contratação mais cara da história do futebol brasileiro. Somadas às chegadas de Vitão e Andrew, investiu R$ 469 milhões em direitos federativos só no primeiro trimestre, o maior valor já registrado pelo clube em um único trimestre.
Mesmo com o investimento recorde, as demonstrações financeiras do primeiro trimestre mostram um Flamengo em situação operacional muito sólida: a receita recorrente bruta, que exclui a venda de jogadores, somou R$ 336 milhões, crescimento de 42% sobre igual período de 2025, o maior valor já registrado para um primeiro trimestre. O Ebitda recorrente saltou 547%, para R$ 50,4 milhões, com margem de 16%, a primeira vez em cinco anos que o indicador atinge dois dígitos já nos três primeiros meses do ano.
O trimestre fechou, ainda assim, com déficit contábil de R$ 63,9 milhões no consolidado, reflexo sobretudo da amortização de R$ 92,3 milhões dos direitos econômicos dos atletas recém-contratados, um efeito contábil que não representa saída de caixa. O caixa livre, esse sim um indicador que merece atenção, recuou R$ 121 milhões frente a dezembro de 2025 e fechou março em R$70,5 milhões, dos quais R$ 43,1 milhões administrados diretamente pelo clube e o restante sob a Fla-Flu Serviços, empresa que opera o Maracanã.
Foi uma mobilização planejada de parte da posição construída ao longo de 2025 para bancar a contratação de Paquetá, sem recorrer a endividamento financeiro adicional, segundo o próprio clube. A leitura mais honesta desse quadro não está na dívida, e sim no fôlego de caixa. O Endividamento Operacional Líquido, indicador que o próprio Flamengo acompanha (obrigações com fornecedores, outros clubes, funcionários e governo, líquidas do caixa e dos valores a receber), saltou de apenas R$ 53 milhões no encerramento de 2025, a mínima histórica, para R$ 488,1 milhões em 31 de março.
É um patamar que reflete o ciclo de investimento da janela de janeiro e que tende a ser amortizado ao longo dos próximos exercícios, à medida que as receitas recorrentes cresçam. O ponto de atenção, portanto, é de fluxo, não de solvência: o clube tem compromissos parcelados relevantes pela frente e um caixa mais enxuto para honrá-los.













