Com a liquidação da Sefer Investimentos, decretada na manhã desta sexta-feira (26) pelo Banco Central, os desdobramentos do caso Master atingem diretamente Benjamin Botelho de Almeida, ex-funcionário do Banco Garantia. Ele é apontado pela Polícia Federal como sócio oculto de Daniel Vorcaro e figura central do esquema de fraudes do Banco Master.
Investigações apontam que Botelho intermediou a aquisição do Banco Máxima por Vorcaro em 2017. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a denunciá-lo por gestão fraudulenta do Máxima, por meio do uso do fundo Aquilla Veyron FIM, “para simular artificialmente a valorização de investimentos e encobrir grave insuficiência de capital”.
Segundo a PF, boa parte das operações suspeitas envolvendo o Master passa por empresas ligadas a Botelho e sua administradora, a Sefer. Entre os negócios investigados estão compra e venda de ativos de origem duvidosa, uso de empresas de fachada e movimentações com fundos de pensão.
De perfil discreto e radicado em Portugal – onde obteve cidadania – desde 2020, quando saiu do Brasil em função das investigações da operação Fundos Fake, Botelho tem diversas empresas com conexões internacionais. No Brasil, ele consta como sócio da Benv Participações Imobiliárias e Veyron Consultoria Empresarial. Oficialmente, não é mais sócio da Sefer, embora PF e MPF digam que ele é o controlador de fato da administradora.
Ele começou a carreira no Garantia e também passou pelo Banco Santos e Credit Suisse. Depois, fundou o grupo Aquilla, onde estava a Foco DTVM, que depois passou a se chamar Índigo e, posteriormente, Sefer. Ele é amigo de Antônio Carlos Freixo Júnior, o mineiro, da Entrepay, que também foi liquidada pelo BC. O Grupo Entre teria também transferido o dinheiro de Vorcaro para os Estados Unidos supostamente para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Botelho e Freixo trabalharam em diversas operações juntos, por décadas.
A Sefer também apareceu na lista de credores do grupo Fictor, que está em recuperação judicial, como a segunda maior credora. O Fictor ficou conhecido pela tentativa frustrada de comprar o Banco Master, um dia antes de o BC liquidar o banco de Daniel Vorcaro, em novembro de 2025.
Botelho também é protagonista em uma transação de mais de R$ 500 milhões entre uma empresa de Vorcaro nas Ilhas Cayman e a Fictor. Ele teria ajudado a trazer alguns fundos suíços, inclusive o MonteRosa, que tinham interesse em entrar no negócio para comprar o Master.













