Amazônia recupera superfície de água após dois anos de seca severa


Apesar de crescente alerta climático, com previsão de El Niño forte nos próximos dois anos, o MapBiomas traz boa notícia nesta terça-feira (16 de junho): identificou aumento da superfície coberta por água na região amazônica em 2025.

Pelo estudo de observação de quatro décadas (1985-2025), os estados do Pará e Amazonas lideram ganhos de água no bioma Amazônia. Já o Pantanal ficou 56% abaixo da média histórica, o pior resultado entre biomas brasileiros.

No entanto, o município de Barcelos, no Amazonas – a 396 quilômetros de Manaus – é o quinto, no ranking dos 15 municípios que mais tiveram perdas de superfície de água: -35 mil hectares (-6,3%).

Os dados são do MapBiomas, iniciativa multi-institucional que monitora transformações na cobertura e uso da terra no Brasil.

Desse modo, após dois anos consecutivos de seca severa – 2023 e 2024, a Amazônia recuperou a superfície de água em 2025, ano em que esteve abaixo da média histórica durante apenas dois meses.

A lembrança mais recente é a seca histórica de 2023, quando rios como o Negro e o Solimões atingiram níveis críticos. O estado do Amazonas foi um dos que mais sofreram com aquela seca histórica severa.

Em diversos municípios amazonenses, embarcações deixaram de navegar em trechos críticos dos rios, enquanto milhares de famílias sofreram com dificuldades de acesso a alimentos, combustíveis e serviços essenciais.

Ganhos do Pará e Amazonas

Segundo o levantamento, no ano passado, o bioma Amazônia, que concentra 61,4% de toda a superfície de água do Brasil, tem como destaque os estados do Pará (+142 mil hectares) e Amazonas (+87 mil hectares).

Os dois estados tiveram os maiores ganhos de água em relação à média histórica entre 1985 e 2025.

A Amazônia possui a maior área de superfície de água natural (10 milhões de hectares), superior à área do estado de Pernambuco. Nesse bioma, 92,7% da superfície de água mapeada é natural.

Amazônia ficou 2,6% acima da média

Ainda de acordo com o MapBiomas, em 2025, a superfície de água na Amazônia ficou 2,6% acima da média histórica. No entanto, essa melhora não foi uniforme: 20 sub-bacias (37% do total) no bioma ainda apresentam superfície de água abaixo da média histórica.

Pantanal abaixo 56%

Em 2025, a superfície de água no Pantanal ficou 56% abaixo da média histórica (média histórica de 1,56 milhões de hectares de 1985 a 2025), sendo o único bioma brasileiro em que todos os meses do ano ficaram abaixo da média. Em 2025 o bioma apresentou uma superfície de água anual de 679 mil hectares, 34% acima do registrado em 2024, com 506 mil hectares, quando o bioma registrou uma seca histórica.

Estados que ganharam ou perderam água

Maiores perdas de superfícies de água ocorreram no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Reduções de 527 mil hectares e 336 mil hectares, respectivamente.

O Pará apresentou o maior ganho de superfície de água no país: 142 mil hectares em 2025 acima da média histórica (1985-2025).

Goiás foi o segundo estado com maior ganho de superfície de água em 2025. A região teve um aumento de 91 mil hectares de superfície de água.

Já Amazonas aparece em terceiro lugar, com ganho de superfície de água de 87 mil hectares em 2025 em relação à média histórica.

Redução de água nos municípios

Em 2025, quase metade (45%, ou 2.511) dos municípios brasileiros esteve com superfície de água abaixo da média histórica.

Os municípios com maior retração da superfície de água em relação à média histórica estão nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que são influenciados pelas variações que ocorrem no bioma Pantanal. Corumbá (MS) registrou perda de 474 mil hectares e Cáceres (MT) perdeu 189 mil hectares em relação à média histórica.

Estudo de quatro décadas

Pelos estudos, em 2025, o Brasil apresentou uma superfície de água de 18,2 milhões de hectares — número 5,3% superior aos 17,2 milhões de hectares registrados em 2024, ambos abaixo da média histórica (de 18,5 milhões de hectares). Atualmente, a superfície de água representa 2% do território nacional em 2025.

A análise por década revela tendência de redução contínua da superfície de água no Brasil:

  • • 1985-1994: média de 19,86 milhões de hectares
  • • 1995-2004: média de 18,71 milhões de hectares
  • • 2005-2014: média de 18,16 milhões de hectares
  • • 2015-2024: média de 17,28 milhões de hectares

A última década (2015-2024) apresentou uma redução de 887 mil hectares em relação à década anterior. Entre a primeira década (1985-1994) e a última (2015-2024), a média de superfície de água reduziu em 2,6 milhões de hectares.

Ação multi-institucional

A rede multi-institucional MapBiomas envolve universidades, ongs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e uso da terra no Brasil, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas.

O MapBiomas Água ((https://plataforma.brasil.mapbiomas.org/agua)
é uma iniciativa de mapeamento anual e mensal da dinâmica da água superficial para todo o território nacional desde 1985. A série histórica foi construída a partir do processamento de imagens geradas pelos satélites Landsat 5, 7, 8 e 9 de 1985 a 2025.

Com a ajuda de inteligência artificial, foi analisada a área coberta por água em cada pixel de 30 m x 30 m dos mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro ao longo dos mais de 40 anos entre 1985 e 2025.

A plataforma também apresenta o Módulo de Bacias Hidrográficas, com dados transversais do MapBiomas e da Agência Nacional de Águas (ANA) organizados por bacias hidrográficas, comitês de bacias e outros recortes territoriais, disponível em bacias.mapbiomas.org.

*Com informações do MapBiomas

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Foto: divulgação



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