Ancelotti tem a reputação exposta na Copa. Por isso não colocará o Brasil para atacar. Mas para pressionar a saída de bola do Marrocos. Neymar fora, ajuda


Ancelotti tenta passar a imagem de mais descontraído. Mas sabe, a sua reputação está em jogo nesta Copa do Mundo Divulgação/CBF

Direto de New Jersey…

Ancelotti sabe que é o treinador mais vencedor do planeta.

Ninguém ganhou cinco Champions League como técnico.

Os grandes técnicos da década não aceitaram trabalhar em selecionados.

Pep Guardiola, José Mourinho, Klopp tiveram convites, mas recusaram a Espanha, Portugal e Alemanha.

Por motivos iguais.

Eles poderiam montar ‘pequenas seleções do mundo’ nos times que dirigiam.

Carlo Ancelotti quebrou essa regra.

E sabe que sua reputação está em jogo.

Por isso evitou aceitar ‘de pronto’ a proposta feita pelo ex-presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.

Ele queria analisar se valeria a pena. O fato de o presidente do Real Madrid, o histórico Florentino Perez decidir não renovar com ele, fechou a questão para o lado do Brasil.

E no sábado, diante do Mundo, aqui em New Jersey, Ancelotti terá de provar que a aposta valeu a pena.

E com apenas 12 partidas com experiência, ele será o primeiro estrangeiro a comandar a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo.

Mais do que isso, mostrar que seu talento para transformar clubes poderá transformar o futebol de um país machucado, acumulando fracassos desde a conquista da Copa de 2002.

Ele sabe muito bem que tem de valorizar, mas não tem a melhor geração de jogadores brasileiros da história. Muito longe disso.

Daí sua opção tática mais importante na estreia do Brasil, contra Marrocos, no MetLife Stadium, sábado, às 19 horas (horário brasileiro, uma hora à frente daqui de New Jersey).

Ele quer o Brasil atuando exatamente como no começo do segundo tempo contra o Panamá e nos dois tempos contra o Egito.

Ancelotti e os 12 títulos que ganhou só no Real Madrid. Três Champions League Divulgação/Real Madrid

Marcando muito forte a saída de bola do Marrocos. Para tenta se impor no talento e psicologicamente, imprensando o time africano no seu campo de defesa.

Pelo menos nos primeiros 15 minutos dos dois tempos da partida. Para buscar sair na frente do placar e contragolpear em velocidade.

Para colocar o que pensa em prática, acaba sendo fundamental não ter Neymar. O jogador, maior ídolo desta geração, não mostra mais força física para marcar a saída de bola dos reservas do Recoleta.

Quanto mais, por exemplo Rakimi, melhor lateral direito do mundo, marroquino, que atua pelo seu setor.

Vinicius Júnior já teve vários embates com ele, quando jogaram Real Madrid contra o PSG.

Daí a importância de deixar dois jogadores explerientes, mais zagueiros do que laterais, atuando dos lados da defesa brasileira: Danilo e Alex Sandro, para guardarem posição, não expor Marquinhos e Gabriel Magalhães.

Quase atuando como laterais da década de 70, quando era raridade os jogadores da posição atacar.

A entrada de Paquetá também será para conter o ímpeto do Marrocos. A seleção africana, quarta na Copa do Catar, terá no seu novo técnico, Mohamed Ouahbi a empolgação que pode ser ótima para o Brasil.

Seu time é veloz e com muita força física. A partida será a mais difícil do grupo C. No último amistoso dos marroquinos, eles empataram, e jogando muito bem, com a competitiva Noruega.

Ancelotti sabe que não será ‘apenas’ o final do jejum de 24 anos de títulos do único pentacampeão mundial.

Mas a sua aura vitoriosa, conquistada nas maiores ligas do Mundo: a espanhola, a inglesa, a alemã, a italiana e a francesa.

O desafio agora é ser campeão com o Brasil…

Veja também: Seleção treina e faz ‘corredor polonês’ para o aniversariante Carlo Ancelotti

Técnico Carlo Ancelotti fez 67 anos há três dias da estreia do Brasil na Copa do Mundo contra Marrocos.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.



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