Angela Davis critica gentrificação e exalta intelectuais brasileiras na Flip

Angela Davis critica gentrificação e exalta intelectuais brasileiras na Flip

A ativista e filósofa Angela Davis foi o grande destaque da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada em Paraty, no Rio de Janeiro. Em um evento público no Sesc Caborê, realizado no dia 25 de julho, a pensadora norte-americana participou de uma mesa mediada pela jornalista Flávia Oliveira, onde discutiu a interseção entre cultura, ativismo e os desafios socioambientais contemporâneos.

Impactos da gentrificação e do racismo ambiental em Paraty

Durante sua fala, Angela Davis denunciou o processo de gentrificação que atinge comunidades periféricas em Paraty. A ativista alertou que a busca por lucro imobiliário tem resultado na expulsão de moradores de terras ancestrais, agravando o que classificou como racismo ambiental. Segundo ela, a juventude local expressa uma preocupação legítima com a falta de perspectivas futuras diante da degradação do planeta.

Para a filósofa, a literatura e a arte possuem um papel fundamental na resistência contra essas dinâmicas. Ela enfatizou que a atenção não deve se restringir apenas aos livros, mas sim à capacidade da cultura de influenciar mudanças sociais reais e proteger as populações vulneráveis da exploração capitalista.

Diálogo com o pensamento de intelectuais brasileiras

O encontro foi marcado por homenagens a figuras centrais do pensamento negro brasileiro. Angela Davis destacou a importância da escritora Conceição Evaristo, comparando sua relevância literária à de ícones como Toni Morrison e Nina Simone. A ativista também celebrou o conceito de “escrevivência”, reforçando a necessidade histórica de que pessoas negras contem suas próprias trajetórias.

Além de Conceição Evaristo, a filósofa exaltou o legado de Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez. Ao citar o conceito de “Amefricanidade” de Lélia Gonzalez, Angela Davis sublinhou a urgência de alianças entre movimentos negros e indígenas na luta anticapitalista. Para a ativista, a exploração desenfreada promovida por bilionários e trilionários é o principal obstáculo para uma vida justa e equilibrada na Terra.

Resistência coletiva e o cenário político global

Ao analisar o contexto político atual, a ativista alertou contra a ascensão de governos autoritários e o avanço do fascismo na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina. Ela ressaltou que, embora o fascismo represente uma ameaça institucional, a força popular permanece como o principal contraponto. Angela Davis mencionou a importância das eleições no Brasil como um momento decisivo para barrar projetos políticos alinhados a ideologias antidemocráticas.

Relembrando sua própria trajetória, a filósofa destacou que sua liberdade foi conquistada por meio da pressão popular internacional. Ela reiterou que a união de pessoas além das fronteiras é a ferramenta mais eficaz para impedir abusos de poder. Por fim, celebrou os avanços na inclusão de negros nas universidades brasileiras, incentivando a continuidade da luta por direitos como a redução da jornada de trabalho. Para mais informações sobre a programação, acesse o portal da Agência Brasil.

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