Civis de Taiwan têm recorrido em massa a cursos privados de defesa e combate, diante do avanço das ameaças chinesas e do temor de uma possível invasão. Parte da população também acompanha com atenção a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, na expectativa de que o futuro da ilha entre na pauta. O encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China começa na manhã da quinta-feira (14), noite desta quarta-feira (13) em Brasília.
Os treinamentos são normalmente organizados por grupos privados e incluem exercícios com rifles de airsoft, movimentação em meio ao combate e treinamento em primeiro socorros durante uma situação de confronto.
“Taiwan tem que ser responsável por sua própria defesa. Nosso interesse é o mesmo que o dos EUA, do Japão e o de todas as pessoas ao redor do mundo. Acredito que todos têm que lutar pelos seus próprios interesses”, afirmou Dan Lu, um organizador de uma das células de treinamento.
Cerca de 70% da população sem filiação partidária em Taiwan estaria disposta a resistir a uma invasão chinesa, segundo um estudo conduzido entre 2021 e 2023 pelo Instituto de Pesquisa de Defesa e Segurança Nacional, um think tank afiliado ao Ministério da Defesa Nacional de Taiwan.
Entre os apoiadores do partido governista, o Partido Democrático Progressista, esse número é de ao menos 88%. Já entre os apoiadores do oposicionista Kuomintang, o percentual de apoiadores da resistência chegou a cair para 38% durante o período analisado.
“Se você não é autossuficiente e não se posiciona por si mesmo, então nada pode ser feito por você. Nosso país é tão rico hoje em dia que acho que poderíamos comprar mais armas para proteger nossa gente. Não temos um grande exército e nossos números militares em geral são baixos. Se nós (os cidadãos) não fizermos isso, quem vai?”, afirmou Michelle Chen, uma idosa que participa dos treinamentos.
Encontro entre Trump e Xi causa tensão em Taiwan
A reunião, que ocorre em meio à escalada de tensões envolvendo Taiwan, pode impactar diretamente na situação da ilha. Trump afirmou, nesta segunda-feira (11), que as questões sobre Taiwan estarão na mesa. A China considera a ilha uma parte inalienável de seu território.
Em dezembro de 2025, a China enviou tropas da Aeronáutica e da Marinha para realizar exercícios militares conjuntos ao redor da ilha, movimento que Pequim classificou como um “alerta severo” contra forças separatistas e de “interferência externa”.
Também em dezembro, Donald Trump autorizou um pacote de armas de US$ 11 bilhões (R$ 54 bilhões, na cotação desta terça-feira, 12 de maio) para Taiwan, o maior já aprovado para a ilha.
Nesta terça-feira (12), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou durante uma coletiva de imprensa que a oposição da China à venda de armas dos Estados Unidos para a “região chinesa” de Taiwan é “consistente e clara”.
Já o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, agradeceu, também nesta terça-feira, a ajuda dos Estados Unidos no fortalecimento das defesas da ilha. Em mensagem de vídeo enviada à Cúpula da Democracia de Copenhague, ele afirmou que Taipei não cederá à pressão. “Há três décadas, Taiwan realizou sua primeira eleição presidencial livre sob ameaça de mísseis da China, e a ilha é um importante farol da democracia na Ásia. O povo de Taiwan jamais recuou diante do aumento dos desafios externos e nunca se curvará à pressão. Taiwan é uma nação soberana e independente”, acrescentou (Com informações da Reuters).
*Estagiário sob supervisão de Diogo Max












