Após Copa e convenções, cenário eleitoral tende a se consolidar no Amazonas


Cientistas políticos avaliam que pesquisas refletem um momento inicial da disputa e que o quadro eleitoral deve ganhar novos contornos após a Copa do Mundo e as convenções partidárias

O cenário eleitoral no Amazonas deve ganhar novos contornos após os jogos da Copa do Mundo e a realização das convenções partidárias. A avaliação é de cientistas políticos que analisam os levantamentos divulgados até o momento como um retrato inicial da disputa pelo Governo do Estado.

Ao analisarem a pesquisa Direto ao Ponto, divulgada na segunda-feira (22), os especialistas destacaram que o cenário ainda está aberto. O levantamento mostra que 49% dos entrevistados afirmaram já ter definido o candidato ao governo em quem pretendem votar. Por outro lado, 47% disseram que ainda podem mudar de escolha até o dia da eleição.

Para os analistas, esse percentual elevado de eleitores suscetíveis à mudança indica que a disputa ainda está longe de apresentar um quadro consolidado.

Eleitor ainda não está totalmente focado na eleição

Para o cientista político André Cesar, os dados mostram que ainda é cedo para considerar o cenário eleitoral definido.

“As pessoas estão concentradas na Copa do Mundo, com as atenções voltadas para outras questões, e muita coisa pode mudar. Essa profusão de escândalos, a cada dia algo diferente, como operações da Polícia Federal envolvendo figuras públicas, influencia o eleitor”, avaliou.

Segundo ele, fatos novos no cenário político podem alterar o comportamento do eleitorado. Além disso, a sucessão de escândalos e eventos externos pode gerar desgaste e descrédito entre os cidadãos.

Cesar afirma que os 47% dos entrevistados que admitem mudar de voto representam um contingente capaz de provocar mudanças significativas no cenário eleitoral amazonense.

“Escândalo vende nos meios de comunicação, dá audiência, mas isso, em determinado momento, esgota a paciência do eleitor comum. É ruim para o país, para a democracia e para o sistema político. Esse percentual de eleitores que ainda podem mudar de voto representa muita coisa. É praticamente metade do eleitorado”, observou.

Convenções e alianças podem influenciar decisão do eleitor

O cientista político Helso Ribeiro também destaca que pesquisas eleitorais retratam apenas um momento específico e não garantem que o mesmo cenário permanecerá até outubro, quando ocorrerão as eleições.

Segundo ele, as convenções partidárias, a oficialização das candidaturas, a formação de alianças e as declarações de apoio devem influenciar diretamente a escolha dos eleitores.

“Esses 47% que afirmaram que podem mudar de voto tendem a ser impactados por esse processo. Com a definição dos nomes dos candidatos, das alianças e dos apoios, a campanha ganha dinâmica. Acredito que uma parcela relevante desse grupo poderá mudar sua escolha”, afirmou.

Helso acrescenta que até mesmo entre os eleitores que afirmam já ter uma decisão consolidada existe espaço para mudanças ao longo da campanha.

“Eu não descarto que mesmo os que dizem que a decisão é definitiva tenham um percentual que, durante a campanha, pode mudar de voto também”, destacou.

Pesquisa mostra disputa equilibrada

No cenário estimulado, o senador Omar Aziz (PSD) lidera com 28% das intenções de voto. Em seguida aparecem o prefeito David Almeida (Avante), com 21%, e o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), com 20%.

Já no cenário espontâneo, quando os entrevistados citam livremente seus candidatos, Omar Aziz registra 7% das menções. A professora Maria do Carmo (PL) aparece em seguida, com 6%, enquanto David Almeida soma 5% e Roberto Cidade, 4%.

Baixa lembrança indica disputa ainda em formação

Ao comentar os números da pesquisa espontânea, André Cesar afirmou que o baixo índice de lembrança dos candidatos demonstra que a campanha ainda não mobilizou totalmente o eleitorado.

“Na espontânea vemos que a eleição ainda não ‘pegou’. A população está ligada na Copa do Mundo, em outros eventos, e as convenções ainda não ocorreram. Não existe algo consolidado. É uma eleição atípica. Essa dificuldade se reflete em vários estados. Esse número mostra uma realidade em que muita coisa ainda vai acontecer”, afirmou.

Sobre a liderança de Omar Aziz, o cientista político considera que o senador permanece competitivo dentro da disputa.

“Omar Aziz é um nome forte e tem plenas condições de vencer. É experiente, competitivo e é muito difícil que não esteja em um eventual segundo turno. Ele se confirma como um candidato bastante competitivo”, analisou.

Por sua vez, Helso Ribeiro chama atenção para o equilíbrio observado nos cenários apresentados pela pesquisa.

“Quando observamos os números da espontânea, vemos que os candidatos estão muito próximos. E mesmo na estimulada, considerando uma margem de erro de três pontos percentuais, existe uma aproximação importante entre os concorrentes”, concluiu.

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