Aposentadoria pode acelerar a perda de força do corpo — e muita gente só percebe quando começa a perder a autonomia



Especialistas alertam que a redução dos movimentos após deixar o mercado de trabalho favorece a perda de massa muscular, comprometendo equilíbrio, mobilidade e independência

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Publicado em 5 de julho de 2026 às 15:00

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Aposentadoria pode acelerar a perda de força do corpo — e muita gente só percebe quando começa a perder a autonomia Crédito: Pexels, Pedro Nascimento

Depois de décadas de trabalho, a aposentadoria costuma ser vista como sinônimo de descanso. Mas essa mudança na rotina pode trazer um efeito pouco conhecido: a redução dos movimentos do dia a dia favorece a perda de massa muscular e pode comprometer, aos poucos, a autonomia na velhice. >

Com menos deslocamentos, menos escadas, menos caminhadas e menos atividades diárias, muitas pessoas passam a se movimentar muito menos sem perceber. O resultado é um processo silencioso chamado sarcopenia, caracterizado pela perda progressiva de massa e força muscular.>

Idoso de 102 anos que vai à academia de musculação todos os dias por Reprodução

O tema ganha importância em um momento em que o Brasil envelhece rapidamente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,4 anos, enquanto a população com mais de 60 anos cresce em ritmo acelerado.>

Embora a perda muscular faça parte do envelhecimento, especialistas afirmam que o sedentarismo acelera esse processo e aumenta o risco de quedas, perda de equilíbrio e dificuldade para realizar tarefas simples do cotidiano. “Muita gente associa musculação apenas à estética ou ao ganho de força, mas, para quem envelhece, ela é uma ferramenta para preservar a independência. Estamos falando da capacidade de levantar da cama, subir escadas, carregar compras e continuar vivendo com autonomia”, explica Leandro Twin, especialista da BlueFit.>

Segundo ele, um dos maiores problemas é que essa perda acontece lentamente. “O corpo entende a falta de movimento como falta de necessidade. Quando passamos muito tempo sedentários, vamos perdendo músculos, mobilidade e estabilidade de forma gradual. Muitas pessoas só percebem isso quando atividades simples começam a ficar difíceis”, afirma.>

A musculatura vai muito além da força física. Ela participa da estabilidade das articulações, protege os ossos, contribui para o equilíbrio e influencia diretamente o metabolismo e a capacidade funcional do organismo. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que pessoas com mais de 65 anos realizem exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana. A orientação, no entanto, também vale para adultos mais jovens, já que construir e preservar massa muscular ao longo da vida ajuda a reduzir os impactos do envelhecimento.>

Estudos brasileiros reforçam essa relação. Dados do ELSA-Brasil, que acompanha cerca de 15 mil adultos há mais de 15 anos, indicam que pessoas fisicamente ativas apresentam um risco de mortalidade até 25% menor em comparação com indivíduos sedentários. Para os especialistas, a principal mensagem é que envelhecer não significa perder força inevitavelmente.>

Quanto mais cedo hábitos ativos forem incorporados à rotina — seja por meio da musculação, de exercícios de resistência ou simplesmente aumentando o nível de movimento diário — maiores são as chances de preservar a mobilidade e a qualidade de vida nas próximas décadas.>



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