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EnvelheSer 60+:  projeto da Sejusc trabalha com possível infrator de direitos da pessoa idosa


Reestruturar a base e a dinâmica familiar após uma infração contra os direitos da pessoa idosa pode ser uma tarefa complicada. Com isso em mente, o projeto “EnvelheSer 60+” desenvolveu um novo eixo, o “Um Convívio sem Violência”, que tem como foco o trabalho direto com o parente responsável pela violação. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc).

De acordo com a psicóloga e coordenadora do eixo, Rebeca Oliveira, 90% dos casos de infração contra o idoso são cometidos por familiares próximos. Por isso, a importância do “Um Convívio sem Violência”. “Nós precisamos trabalhar esse familiar. Então, atuamos no resgate, fortalecimento e reconstrução dos vínculos familiares rompidos ou inexistentes que, de alguma forma, culminaram nesta violação, precavendo a sua reincidência”, frisou a coordenadora.

Os candidatos são encaminhados à iniciativa por meio do Centro Integrado de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa (Cipdi) ou da Delegacia Especializada de Crime Contra Idoso (Decci). Ao integrarem o eixo, os participantes são submetidos à uma anamnese específica, onde são recolhidas não somente informações sobre a vida do familiar.

“Nós fazemos todo um histórico familiar dessa pessoa para a gente entender. Por exemplo, em um caso de violência física: será que é a primeira vez que isso acontece nessa família? Será que esse é um padrão que vem se repetindo? De repente, é algo que ocorre [nessa família] por um longo período”, destacou Rebeca.

Para que esse histórico seja compreendido, além da entrevista, o familiar participa de oito encontros terapêuticos, onde são utilizadas técnicas de alto impacto emocional. “Ao final desses encontros, cada familiar se comprometerá não somente com ele, mas perante a sociedade, que não cometerá mais essas violações”, acrescentou a coordenadora.

Os encontros ocorrem no auditório da Sejusc, localizada na rua Bento Maciel, nº 2, Conjunto Celetramazon, bairro Adrianópolis.

Pós-juramento

Após a finalização da primeira turma do “Um Convívio sem Violência” – iniciada no último dia 5 de junho -, a coordenação do eixo voltará a entrar em contato com a família, após um período de dois meses. “A gente precisa dar um tempo para que a dinâmica se reajuste e as coisas, de fato, aconteçam. (…) Já tivemos quatro encontros que vêm surpreendendo, superamos nossas expectativas”, afirmou a psicóloga.

Segundo a titular da Decci, Andréa Nascimento, a iniciativa é inovadora no combate à violência contra a pessoa idosa. “Esse projeto visa não somente olhar o agressor como um autor de um crime, mas também como um ser humano, que precisa ser observado, ser ouvido e ser garantida e ele a mudança do seu comportamento”, pontuou a delegada.

Conforme Andréa, muitas vezes, mesmo após a instauração do procedimento criminal ou punição do possível infrator, as partes continuam convivendo. “Muitos idosos, não desejam romper esse vínculo afetivo com o seu agressor. Estamos falando de filhos, netos, pessoas próximas que convivem com aquele idoso. Então, a convivência permanece e, com isso, o alto índice de reincidência dos crimes contra a pessoa idosa”, explicou.

FOTO: Sejusc



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