Os pacientes seguiram esse programa por três anos, mas foram acompanhados por um período bem maior. Veja o resultado do suor derramado: passados oito anos, na turma dos treinos com acompanhamento, 80,3% continuavam muito bem, sem recorrência do câncer de intestino, contra 73,9% dos que ficaram no outro grupo.
O oncologista Malek Hannouf, pesquisador da Universidade de Calgary, no Canadá, e um dos autores da pesquisa, voltou ao palco da Asco e reacendeu a história: “Se o exercício físico fosse incorporado às diretrizes canadenses para o tratamento dessa doença como prescrição formal, haveria uma redução de despesas de quase 24 mil dólares por paciente a cada ano”, informou ele, apresentando no evento deste ano os dados de custo-efetividade dessa medida.
Ao longo do congresso recente, diga-se, foram dezenas de trabalhos sobre atividade física e câncer. Por que será que o CHALLENGE continua chamando mais a atenção do que todos os outros? “Porque, com ele, é a primeira vez que se prova que fazer atividade física contribui diretamente para o desfecho dessa doença”, responde o oncologista André Paternò Castello, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.
O médico logo explica melhor o que quer dizer: “Os outros trabalhos reforçam o que a gente tem cada vez mais conhecimento, que o exercício é mesmo capaz de melhorar a tolerância ao tratamento, aliviando efeitos colaterais da quimioterapia, como a fadiga, por exemplo. Mas, nesse caso, o que se viu foi um impacto sobre a doença propriamente dita”.
Os participantes que seguiram o protocolo de atividade física apresentaram um risco 28% menor de ter uma recidiva do tumor em relação aos que ficaram só com recomendações genéricas, livres para treinar se quisessem e o quanto quisessem. “É algo fenomenal. Os remédios que usamos não conseguem promover essa redução de quase 30% na ameaça de o câncer de intestino voltar”, entusiasma-se o doutor Paternò.
Valeria para outros tipos de câncer?
Olhando para o que existe de pesquisa científica concluída até o momento, o único trabalho com um número razoável de pacientes acompanhados por um bom tempo é esse sobre câncer de intestino. “Porém, no próprio encontro da Asco apareceram investigações envolvendo pacientes com outros tumores. Só que ainda estão em fases iniciais”, observa o médico do Einstein.













