Luz acesa na madrugada pode ser mais perigosa para o coração do que parece



Pesquisadores associaram exposição noturna à luz a maior risco de infarto, AVC e arritmia

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Publicado em 23 de junho de 2026 às 20:15

Estudo associou a exposição à luz durante a noite a maior risco de doenças cardiovasculares em adultos
Estudo associou a exposição à luz durante a noite a maior risco de doenças cardiovasculares em adultos Crédito: Pexels

Um estudo publicado na revista médica JAMA Network Open acende um alerta para um hábito cada vez mais comum: passar a madrugada exposto à luz artificial, seja por lâmpadas acesas, seja pelo uso de telas antes de dormir. A pesquisa associou a exposição à luz noturna a um risco maior de doenças cardiovasculares em adultos, com destaque para a insuficiência cardíaca, que teve aumento de 56% entre os participantes mais expostos. >

A investigação analisou dados de 88.905 pessoas do UK Biobank que não tinham histórico de doenças cardiovasculares no início do acompanhamento. Para medir a exposição real à luz, os voluntários usaram sensores no pulso, semelhantes a relógios, durante uma semana em seus próprios ambientes.>

Dormir com a porta aberta pode ser a solução ideal para quem sofre com problemas respiratórios e noites mal dormidas por Reprodução | Freepik

Na sequência, os registros de saúde foram acompanhados por uma média de 9,5 anos, entre junho de 2013 e novembro de 2022. Ao comparar quem passava a noite em locais mais escuros com quem ficava exposto aos níveis mais altos de luz entre 0h30 e 6h, os pesquisadores observaram aumento no risco de cinco condições graves: insuficiência cardíaca, infarto, doença arterial coronariana, fibrilação atrial e AVC.>

Como foi a pesquisa

Intitulado “Exposição à Luz Noturna e Incidência de Doenças Cardiovasculares”, em tradução livre, o estudo foi conduzido por pesquisadores ligados a instituições da Austrália, dos Estados Unidos e do Reino Unido. O trabalho foi liderado por Daniel P. Windred.>


Entre os participantes, a idade média era de 62,4 anos, e 56,9% eram mulheres. Para avaliar a influência da luz no período de descanso, os cientistas dividiram os voluntários conforme a intensidade registrada durante a madrugada.>

Pessoas que dormiam em ambientes mais escuros, nos percentis de 0 a 50, foram comparadas com aquelas expostas à luz noturna mais intensa, nos percentis de 91 a 100. Essa diferença permitiu observar como a luminosidade no período de repouso se relacionava ao risco cardiovascular ao longo dos anos.>

Riscos observados

Entre os mais expostos à luz durante a noite, a insuficiência cardíaca teve aumento de 56%. O infarto do miocárdio, também chamado de ataque cardíaco, apareceu com alta de 47%.>

Já a doença arterial coronariana registrou aumento de 32%, mesmo percentual observado para fibrilação atrial, uma forma de arritmia. No caso do acidente vascular cerebral, conhecido como AVC ou derrame, o risco foi 28% maior.>

Mesmo após isolar fatores tradicionais de risco, a associação permaneceu. Segundo os autores, o resultado não foi atribuído a estilo de vida, como falta de atividade física ou consumo de álcool, nem a fatores socioeconômicos, moradia em áreas urbanas, qualidade do sono ou predisposição genética.>

Grupos mais afetados

Mulheres apresentaram associação mais forte entre exposição à luz noturna e risco de insuficiência cardíaca e doença arterial coronariana, em comparação com os homens.>

Pessoas mais jovens também chamaram atenção. Entre indivíduos com menos de 40 anos, o impacto negativo sobre insuficiência cardíaca e fibrilação atrial foi mais pronunciado.>

Uma possível explicação citada pelos autores é que a sensibilidade do sistema circadiano à luz tende a diminuir com o envelhecimento. Assim, pessoas mais jovens poderiam ser mais vulneráveis aos efeitos da luz durante a noite.>

Por que a luz interfere

Segundo o estudo, a luz noturna pode causar disfunção circadiana, desregulando o relógio biológico de 24 horas. Essa alteração afeta o sistema cardiovascular por diferentes caminhos.>

A perturbação crônica pode modificar o ritmo da pressão arterial, mantendo médias de 24 horas mais elevadas. Também pode favorecer um estado de hipercoagulabilidade, aumentando as chances de coágulos e trombos.>

Outro efeito citado é o prejuízo à tolerância à glicose, com maior risco de diabetes tipo 2, condição que danifica os vasos sanguíneos. A luz noturna ainda pode gerar conflitos nos sinais elétricos do coração, favorecendo arritmias.>



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