O ex-deputado Eduardo Bolsonaro usou suas redes sociais nesta segunda-feira (15) para solicitar ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump a retomada de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
A publicação do político acontece um dia antes do julgamento em que a Primeira Turma da Suprema Corte vai analisar uma denúncia de coação feita pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o ex-vereador, acusado de ter atuado junto ao governo dos EUA para pressionar ministros do próprio STF e de incentivar o tarifaço do governo Trump contra o Brasil.
Na publicação desta segunda-feira, Eduardo se dirige em inglês a Trump, ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, e ao secretário do Tesouro, Scott Bessent. O ex-deputado afirma que “o Supremo Tribunal do Brasil está se preparando para me condenar em retaliação contra o pres. Trump”.
Na sequência, a ele chama o STF de “tribunal político” e diz que Trump saberia como a manipulação do sistema jurídico era usada contra opositores políticos. Além disso, ao solicitar a reinstauração de sanções contra Moraes urgentemente, Eduardo afirma que a retirada das restrições feita em dezembro do último ano foi “um erro grave”.
“Moraes está aguardando o retorno de uma administração democrata radical nos Estados Unidos para que, juntos, possam fazer com vocês o que estão fazendo comigo hoje. Considerem a audácia das acusações: eles afirmam que cometi um crime ao interagir com autoridades do governo americano. Tal alegação, na prática, trata a própria administração Trump como se fosse uma organização criminosa”, completou Eduardo.
Confira a postagem traduzida na íntegra
O SUPREMO TRIBUNAL DO BRASIL ESTÁ SE PREPARANDO PARA ME CONDENAR EM RETALIAÇÃO CONTRA O PRES. TRUMP
É assim que um tribunal político opera — e Trump sabe melhor do que ninguém como o lawfare pode ser instrumentalizado contra opositores políticos.
Presidente @realDonaldTrump, Secretário Rubio e Secretário Bessent: a reinstauração de sanções contra o violador de direitos humanos Alexandre de Moraes é tanto necessária quanto urgente. Não sei quem aconselhou a suspensão dessas sanções, mas fazê-lo foi, no mínimo, um erro grave. Agora eles se sentem confortáveis para fazer coisas como as mostradas nesta notícia.
Moraes está aguardando o retorno de uma administração democrata radical nos Estados Unidos para que, juntos, possam fazer com vocês o que estão fazendo comigo hoje.
Considerem a audácia das acusações: eles afirmam que cometi um crime ao interagir com autoridades do governo americano. Tal alegação, na prática, trata a própria administração Trump como se fosse uma organização criminosa.
Eles desprezam a liberdade. Se opõem aos valores representados pelo seu governo. E nutrem a mesma hostilidade contra você, @SecRubio, @SecScottBessent, e todos que servem em seu governo.
A história tem mostrado repetidamente que aqueles que estão dispostos a silenciar seus opositores políticos dentro de seus próprios países não hesitarão em atingir qualquer pessoa no exterior que se coloque em defesa da liberdade.
Julgamento na Primeira Turma
Eduardo responde a uma ação penal por coação no curso do processo. Na sexta-feira (12), a DPU (Defensoria Pública da União) pediu ao STF o adiamento da sessão e a convocação de um ministro de outra turma para completar o quórum da Primeira Turma.
O órgão argumenta que a vaga aberta no colegiado desde a saída do ministro Luiz Fux prejudica o julgamento e abre margem para um empate na votação.
O ministro Alexandre de Moraes negou o pedido da defesa de Eduardo para adiar o julgamento da ação penal, mantendo a realização para esta terça-feira (16).
Procurado pela CNN Brasil, o Supremo Tribunal Federal não se pronunciou até o momento sobre as acusações feitas por Eduardo Bolsonaro. O espaço segue aberto.
Com informações de Gustavo Uribe e Helena Prestes
*Sob supervisão de João Ker













