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Em um texto publicado em suas redes sociais, Flávio afirma que em nenhuma momento ofendeu ou teve a intenção de ofender Michelle.
“Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, escreveu.
O senador disse ainda que é natural que, em determinados momentos, “pessoas comprometidas com o mesmo propósito enxerguem caminhos diferentes”, inclusive dentro de famílias: “Divergências de estratégia não significam divergências de princípios”.
Em dois vídeos postados na quarta-feira (24/6), a ex-primeira-dama disse ter recebido uma “punhalada” do enteado no ano passado, quando a família Bolsonaro viveu uma crise em torno das articulações políticas para as eleições no Ceará.
Ela disse que, na época, o senador a “maltratou” e tratou seu apoio como algo “insignificante”.
Naquela ocasião, Michelle criticou diretamente a intenção do PL de apoiar Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual, decisão que, segundo Flávio Bolsonaro, contaria com a aprovação do pai, dentro de uma estratégia para derrotar o PT no Estado — o governador Elmano de Freitas (PT) disputará a reeleição.
As críticas de Michelle foram feitas em novembro, durante evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará, político bolsonarista com forte discurso conservador.
No dia seguinte, os irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro criticaram Michelle, e ela foi chamada de autoritária pelo hoje pré-candidato ao Palácio do Planalto.
Nos vídeos divulgados agora pelo Instagram, a ex-primeira-dama disse que sempre atuou com a concordância do marido e chamou as palavras contra ela de “duras” e com “tom agressivo”.
“Os irmãos vieram juntos de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado”, continuou.
A publicação de Flávio, por sua vez, provocou mais uma declaração de Michelle Bolsonaro nesta quinta-feira (25/6): “Para ficar claro: eu não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação quie estava sendo deturbada”, escreveu a ex-primeira-dama em seu Instagram.
Ela afirmou ainda que todos vão trabalhar juntos “para derrotar o atual desgoverno” e pediu que não tirem trechos de sua fala de contexto.
“Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito. Fiquem em paz”, escreveu.
Em meio à crise, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que vai conversar pessoalmente com Michelle e Flávio. Por meio de nota, ele também afirmou que “divergências fazem parte de qualquer ambiente vivo, plural e comprometido com ideias”.
“Michelle e Flávio conhecem muito bem nosso presidente Bolsonaro e sabem do grande respeito que ele tem às convicções e aos pensamentos individuais, e isso se tornou um dos princípios mais valiosos do nosso partido. É essa autenticidade que nos conecta com o povo brasileiro e fortalece nossa atuação política”.
“O PL segue focado em retirar esse governo que está aí e devolver o Brasil aos brasileiros, e nada será capaz de nos tirar desse foco”, continuou.
‘O coração segue aberto’
Em seu pedido de desculpas, Flávio afirma que na própria quarta-feira, antes de Michelle publicar suas acusações nas redes sociais, ele tentou ligar para a madrasta para convidá-la “de coração aberto” para uma reunião com lideranças femininas conservadoras, mas não foi atendido.
“Hoje (quarta) pela manhã, eu mesmo fiz questão de ligar para Michelle e convidá-la, pessoalmente. Fiz mais um gesto não correspondido. Não atendeu. Deixei mensagem. Também não retornou”, contou.
“Para minha surpresa, na tarde de hoje ela publicou o vídeo.”
Segundo Flávio, a reunião com as lideranças femininas está mantida “para tratar justamente das soluções que proporemos para milhões de mulheres brasileiras que acordam cedo, trabalham, cuidam dos filhos e das famílias”.
Ainda segundo o senador e pré-candidato à Presidência, “o convite segue de pé e o coração segue aberto, pois temos um Brasil para tirar das mãos do PT”.
“O Brasil precisa de maturidade, serenidade e unidade. Vamos concentrar nossas energias naquilo que realmente importa: construir um futuro melhor para todos os brasileiros!”, diz no texto.

Crédito, Reprodução Instagram/Michelle Bolsonaro
O que aconteceu?
Como presidente do PL Mulher — um movimento dentro do PL que visa “fomentar a participação de mulheres na política do país”, segundo sua página no Facebook —, Michelle Bolsonaro é vista no partido como liderança carismática e importante ativo junto ao público feminino conservador.
Apesar disso, a esposa de Jair Bolsonaro disse que o enteado não fez qualquer movimento de aproximação após a crise do Ceará para buscar seu apoio.
“O Flávio vai a minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado. Estou na minha. Continuarei recolhida.”
Segundo Michelle, Flávio não tentou falar com ela antes de criticá-la publicamente por manifestar sua opinião em relação à disputa no Ceará e não a atendeu quando ligou para ele após isso.
A presidente do PL Mulher diz que o enteado a telefonou depois que ela pediu publicamente desculpas, ressaltando, na época, ter direito de criticar a aliança com Ciro Gomes, alguém que “sempre se declarou inimigo” de Bolsonaro.
“Algumas horas depois da postagem [de perdão], ele retornou a ligação. Mas sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone, e eu não tinha feito nada contra ele”.
“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, continuou.
Michelle chegou a ser apontada como possível candidata à vice-presidente numa chapa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), antes de Flávio Bolsonaro ser lançado ao Palácio do Planalto.
A expectativa é que ela concorra ao Senado pelo PL no Distrito Federal. Pesquisas de intenção de voto a colocam na liderança, chegando a marcar mais de 30% nas intenções de voto.
A disputa no Ceará

Crédito, Edilson Freire/BBC
Nos dois vídeos, Michelle dá detalhes sobre a briga do PL do Ceará, que envolve não só a disputa pelo governo do Estado, mas as eleições para o Senado.
Ela defende que, no primeiro turno, o PL apoie Girão para o governo estadual.
“Não é questão de política, é questão de coerência. Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido durante a pandemia. Numa live com outros esquerdistas, ele incentivou e conclamou as pessoas a chamarem o meu marido de genocida e pediu que repetissem isso o tempo todo. Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento”.
“Disse que Bolsonaro roubava a gasolina. Disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras. Disse que os filhos do meu marido, os meus enteados, eram corruptos, que eram ladrões, e deu a eles um apelido: ovos de serpentes nazistoides. Essas foram as palavras de Ciro Gomes sobre os filhos do meu marido”.
Ela defendeu que eventual aliança com Ciro Gomes ocorra apenas no segundo turno.
“Não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que a adie para o segundo turno. Eu sou contra ela, mas essa é apenas a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem. Mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno”, defendeu.
Na disputa pelo Senado, a ex-primeira-dama apoia Priscila Costa (PL), vereadora mais votada de Fortaleza em 2024. Seu desejo é que ela dispute uma das duas vagas para o Senado, ao lado de Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes (PL), deputado federal mais votado no Ceará em 2024.
Dentro da negociação para a aliança com Ciro Gomes, porém, André Fernandes, que preside o PL no Ceará, quer manter a candidatura de seu pai, que disputaria com outro nome indicado por outro partido. Priscila Costa, então, não disputaria o Senado.
“É para se unir a esse homem [Ciro Gomes] que o PL do Ceará está abandonando um candidato legítimo da direita? É para se unir a esse homem que estão perseguindo e tentando retirar da disputa uma mulher nordestina, mãe de quatro filhos, que dedicou tudo ao movimento em defesa da vida?”, questiona Michelle.
“Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga do seu próprio pai? Estranho, né? Por que só a mulher tem que ceder? Não dá para aceitar”, disse ainda.
A ex-primeira-dama disse ainda que tem apoio do seu marido na oposição à aliança com Ciro e no apoio à Priscila Costa.
“Que fique registrado para sempre. Enquanto ainda estava preso no 19º batalhão, o meu marido mandou um recado claro que foi repassado à direção do partido e ao senador Rogério Marinho. Ele disse: Priscila será candidata”.













