Todos apaixonados pelo futebol francês. Um futebol que há pouco tempo não era grande coisa. Era conservador, branco e derrotado; e hoje é transgressor, negro e vitorioso. O futebol francês soube fazer a sua revolução, como bem colocou em palavras meu amigo Walter Casagrande. O que vemos em campo é daquelas coisas que nos elevam a um estado de encantamento, de amor, de mais significado. Ritmo intenso, movimentação delirante, técnica apurada, jogo coletivo, ousadia, verticalidade, alegria, música.
A França assumiu seu multi-culturalismo e escureceu. Os deslocamentos em campo talvez sejam reflexo da coragem de uma diáspora que chegou ao continente para criar uma nova integralidade e uma nova consciência. Os franceses jogam hoje um futebol dinâmico e inteligente muito diferente daquele que antecedeu Zidane e sua geração. Ver a França atuar é ter a certeza de que o futebol pode mais, precisa de mais, deve mais.
Posições fixas são o sonho de treinadores que querem aparecer mais do que o corpo dos atletas. Um jogador e uma jogadora que chegam a esse nível de profissionalismo possuem um tipo de inteligência tática que, se deixada livre, acha caminhos de encantamento. A França tem um treinador experiente e capaz que acredita na sagacidade de cada um de seus atletas e oferece a eles liberdade para criar e pede disciplina para defender.













