O Polo Urucu, maior província petrolífera terrestre do Brasil, será o principal destino de um novo pacote bilionário da Petrobras (PETR4). Em cerimônia realizada em Manaus nesta quarta-feira (27), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a estatal anunciou investimentos de R$ 2,8 bilhões no Amazonas até 2030.
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Do total, R$ 2,5 bilhões serão destinados ao Polo Urucu, localizado em Coari (AM), enquanto outros R$ 303,5 milhões serão direcionados à construção de 18 barcaças encomendadas pela Transpetro — a maior subsidiária da Petrobras, que atua como a principal empresa de logística e transporte de combustíveis da América Latina.
O pacote faz parte da estratégia da Petrobras de ampliar a produção de petróleo e gás natural na região Norte, além de reforçar a infraestrutura logística para distribuição de combustíveis.
Atualmente, o Polo Urucu produz cerca de 105 mil barris de óleo equivalente por dia. Segundo a companhia, os novos investimentos devem elevar a produção média em aproximadamente 4,4 mil barris diários.
A expansão inclui a perfuração de novos poços e a instalação de cerca de 40 quilômetros de linhas de conexão entre as áreas produtoras.
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Durante o evento, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a estatal projeta um crescimento ainda mais robusto da operação local.
“A Petrobras produz 105 mil barris de petróleo por dia [em Urucu]. Com investimentos, vamos elevar essa produção em 20%. Isso vai garantir mais gás, mais petróleo, mais emprego e renda”, disse.
Urucu é estratégico para abastecimento do Norte
Além da produção de petróleo, Urucu desempenha papel relevante no abastecimento energético da região Norte.
Segundo a Petrobras, o gás natural produzido no polo responde atualmente por cerca de 65% da energia elétrica consumida em Manaus e em outros cinco municípios amazonenses.
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A produção de gás liquefeito de petróleo (GLP) também tem peso estratégico: são cerca de 80 mil botijões de gás de cozinha por dia abastecendo todos os estados da região Norte e parte do Nordeste.
A estatal também anunciou que pretende ampliar o fornecimento de gás natural para localidades da região que enfrentam restrições logísticas. A partir de 2028, começa a operar a parceria entre a Petrobras e a Amazônica Energy, firmada no ano passado.

A expectativa é ampliar a segurança energética do Norte em pelo menos 100 mil metros cúbicos de gás natural por dia.
Lula reforça defesa da Petrobras e critica privatizações
Durante o discurso, Lula voltou a defender a Petrobras como instrumento de desenvolvimento econômico e geração de empregos. “A Petrobras é a empresa mais importante deste país”, afirmou o presidente.
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Segundo Lula, o governo pretende utilizar a estatal para impulsionar investimentos no país e ampliar políticas industriais. “O governo não manda na Petrobras, mas discute com a Petrobras o que o Brasil precisa”, disse.
O presidente também voltou a criticar as privatizações realizadas nos últimos anos e afirmou que o governo pretende tentar recomprar refinarias vendidas pela estatal, desde que os ativos possam ser adquiridos em condições consideradas adequadas.
“Nós vamos tentar recuperar as refinarias que eles privatizaram, mas a gente não pode comprar pelo preço que eles querem. A Petrobras não pode dar dinheiro para as pessoas se não tiver um preço justo”, afirmou.
Lula ainda criticou a privatização da Eletrobras, atual Axia Energia (AXIA3), e questionou os efeitos da venda de ativos da Petrobras sobre a política de preços de combustíveis no país.
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Transpetro acelera encomenda de embarcações
Além dos investimentos em exploração e produção, a Petrobras destacou o avanço do programa de renovação da frota da Transpetro.
Segundo a companhia, já foram encomendadas 52 embarcações desde o início da atual gestão, dentro do Programa Mar Aberto. Os contratos representam investimentos de aproximadamente R$ 11,6 bilhões até 2030.
O plano prevê a contratação de 96 embarcações no total, com investimentos estimados em R$ 34,8 bilhões.
De acordo com a Petrobras, sua operação no Amazonas responde atualmente por cerca de 14 mil empregos diretos e indiretos.
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A companhia também afirmou ter destinado R$ 1,5 bilhão em tributos e participações governamentais ao estado em 2025, sendo hoje a maior contribuinte de imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) do Amazonas.
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