Roberto Cidade vira alvo de todos


O governador Roberto Cidade (União Brasil) virou alvo de ofensivas que partem de todos os lados. A série de ataques ocorre se situa num momento em que pesquisas eleitorais passaram a colocá-lo em condição de empate técnico com pré-candidatos que estão em campanha há muito mais tempo.

A primeira investida ocorreu na segunda-feira (8). Foi quando o vereador de Manaus e pré-candidato a deputado federal Sargento Salazar (PL) ocupou a tribuna da Câmara Municipal para acusar o governador de tentar utilizar a mãe de seu filho para obter informações que pudessem comprometê-lo politicamente. Salazar é aliado da empresária Maria do Carmo Seffair (PL), pré-candidata ao Governo do Amazonas.

Ontem (10), a ofensiva ganhou escala maior. No Senado, o senador Omar Aziz (PSD) direcionou críticas ao governador durante discurso na tribuna. Omar recebeu apartes dos senadores Eduardo Braga e Plínio Valério, ambos adversários políticos do ex-governador Wilson Lima, principal aliado de Cidade.

Ato contínuo, uma hora depois de Omar, o ex-prefeito de Manaus e pré-candidato ao governo, David Almeida (Avante), também elevou o tom contra o governador em publicação nas redes sociais, ampliando a pressão sobre o chefe do Executivo estadual.

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O contexto eleitoral dos ataques

Tomadas isoladamente, as críticas possuem motivações e contextos distintos. Quando observadas em conjunto, porém, ajudam a revelar um fenômeno político que começa a se desenhar no Amazonas: Roberto Cidade passou a ser tratado pelos adversários como um concorrente real na disputa pelo governo.

Contudo, Cidade sequer lançou oficialmente candidatura à reeleição. Ainda assim, levantamentos recentes o colocam em empate técnico com nomes que há meses percorrem o estado em atividades de pré-campanha.

Pesquisas divulgadas ao longo das últimas semanas mostram o governador dividindo espaço com Omar Aziz, David Almeida e Maria do Carmo nos cenários para 2026. Em algumas delas, Cidade aparece disputando diretamente uma vaga no segundo turno, enquanto em outras surge empatado tecnicamente com os principais concorrentes.

Outro dado que chama atenção é o índice de rejeição. Os levantamentos apontam que o governador apresenta resistência eleitoral menor que a registrada por alguns de seus adversários mais conhecidos, fator que costuma ser considerado estratégico em disputas majoritárias.

Vacinação

Nesse contexto, os ataques desta semana podem ser uma tentativa de antecipar o debate sobre sua imagem pública. Em linguagem eleitoral, trata-se do que estrategistas costumam chamar de “vacina”: expor fragilidades de um adversário antes que ele consolide crescimento junto ao eleitorado.

A movimentação ganha relevância porque Cidade ocupa atualmente a mais poderosa estrutura política do estado. Ele assumiu o governo após a renúncia de Wilson Lima, em 4 de abril deste ano, e posteriormente foi eleito pela Assembleia Legislativa para concluir o mandato tampão.

Controlando a máquina administrativa estadual e desfrutando da visibilidade inerente ao cargo, o governador reúne atributos que tradicionalmente despertam atenção dos concorrentes. Quanto mais competitivo se torna nas pesquisas, maior tende a ser o volume de críticas e questionamentos direcionados a ele.

Se a estratégia dos adversários conseguirá interromper seu avanço eleitoral ainda é uma incógnita. O fato concreto, por enquanto, é que Roberto Cidade passou a ocupar uma posição rara na política: a de ser atacado simultaneamente por representantes de grupos que também disputam espaço entre si na corrida pelo Governo do Amazonas.

Foto: Matheus Rodrigues/Aleam



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