Salles afronta Bolsonaros e denúncia contra PL atinge ex-ministro do Amazonas


O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) abriu uma crise interna na direita ao disparar graves acusações contra a cúpula do PL, partido ao qual foi impedido de se candidatar ao Senado.

O ex-ministro afirmou que a legenda, sob o comando de Valdemar da Costa Neto, operava esquemas de corrupção no Ministério dos Transportes e no Dnit, citando que a gestão de Tarcísio de Freitas na autarquia foi necessária para limpar a pasta.

As declarações de Salles, embora focadas em Costa Neto, lançam luz sobre o período em que o presidente estadual do PL no Amazonas, Alfredo Nascimento, comandou o ministério.

A suposta negociata pela suplência de Eduardo Bolsonaro

Em sua investida contra a cúpula partidária, Salles subiu o tom ao denunciar uma suposta manobra política envolvendo a família do ex-presidente.

Segundo o parlamentar, Valdemar da Costa Neto teria oferecido uma negociata para acomodar Eduardo Bolsonaro como primeiro suplente na chapa ao Senado por São Paulo.

O ex-ministro sugere que sua exclusão da disputa majoritária foi parte de um acordo para beneficiar o clã, garantindo uma estrutura de poder que ignorava o critério de fidelidade ideológica em troca de conveniências partidárias.

Entretanto, é fundamental registrar que, durante as entrevistas e manifestações públicas, Salles não apresentou qualquer prova documental ou evidência material que sustente as acusações de corrupção ou os termos dessa suposta articulação.

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Herança de gestão e o embate no PL

Salles argumenta que o grupo político de Costa Neto utilizava a estrutura dos transportes para práticas ilícitas durante as gestões petistas.

Embora o deputado não tenha citado o nome de Alfredo Nascimento de forma isolada, as denúncias miram exatamente a janela temporal entre 2004 e 2011, quando o amazonense era o homem forte da pasta por indicação do então PR.

O ex-ministro destacou que Tarcísio de Freitas só ganhou projeção nacional por ter sido o técnico responsável por desmontar os esquemas deixados pelos indicados do PL.

O cenário descrito por Salles remete à crise que levou à demissão de Alfredo Nascimento do ministério no governo Dilma Rousseff, após denúncias de superfaturamento e suspeitas de irregularidades em obras rodoviárias.

Implicações para o cenário no Amazonas

Para o cenário político amazonense, a fala de Salles isola a ala bolsonarista ideológica e constrange a atual liderança do PL no estado.

Ao associar a cúpula nacional do partido a métodos de corrupção nos transportes, o ex-ministro atinge o maior ativo político de Alfredo Nascimento: sua imagem vinculada ao setor de infraestrutura.

Salles acusa o clã Bolsonaro de se curvar ao centrão e aos nomes que ele classifica como pertencentes à velha política, grupo no qual enquadra Costa Neto e seus aliados históricos.

Costa Neto confirmou que acionará medidas judiciais contra Salles por calúnia e difamação.

No Amazonas, a cúpula regional do PL mantém o silêncio sobre as declarações, focando na organização das bases para os próximos pleitos.

Justiça e transparência

O caso agora segue para a esfera jurídica. Enquanto o PL busca punir Salles judicialmente, as falas do ex-ministro servem de munição para adversários políticos no Amazonas que buscam resgatar os processos e investigações que marcaram a saída de Nascimento do governo federal há mais de uma década.

Foto: divulgação



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