SOMP: por que a síndrome dos ovários policísticos precisou mudar de nome?


Para ela, a expressão “poliendócrino” é muito mais feliz. Os ovários continuam lá, no “O” da sigla SOMP. Mas a nova nomenclatura escancara que há outras disfunções hormonais no seu entorno. Vale destrinchá-las.

Entendê-las é também compreender que, embora sintomas clássicos como a acne, a queda de cabelos, os pelos pelo corpo e a irregularidade menstrual sejam importantes, abalando o bem-estar e a autoestima, eles são parte de uma história maior que aumenta o risco de diversos problemas metabólicos e de doenças cardiovasculares.

Aliás, por isso mesmo a mulher com SOMP, condição que — atenção, meninas e senhoras! — pode ser flagrada da adolescência até a menopausa, precisa ser bem acompanhada pelo resto da vida. Ora, a SOMP é crônica. Se a acne desaparece e os pelos no rosto caem com algum tratamento pontual, isso não significa que ela foi embora.

A ideia da mudança

“Desde que comecei na área da endocrinologia feminina, há quase quinze anos, ouço a discussão sobre a necessidade de mudança de nome”, conta Larissa Gomes. A troca acontece só agora, depois de um esforço gigante de uma comissão organizada pela revista britânica The Lancet, que reuniu nada menos que representantes de 56 sociedades médicas mundo afora para discuti-la.

E mais: 14 mil pacientes de todas as regiões do planeta responderam um questionário para ajudar os especialistas a encontrarem o nome ideal. O resultado, síndrome ovariana metabólica poliendócrina, foi divulgado há exatos quinze dias. “O próximo consenso mundial sobre essa condição, que será daqui a três anos, já terá a nova nomenclatura no título”, conta a doutora Larissa. “E, até lá, a gente espera que ela ‘pegue’ entre a população, com um trabalho de educação sobre o que é verdadeiramente essa síndrome.”



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