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Dois fortes terremotos atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira, com relatos de 164 mortos e pelo menos 971 feridos. A confirmação das vítimas foi feita nesta quinta-feira (25/06) pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em pronunciamento.
O primeiro tremor de magnitude 7,2 na escala Richter atingiu a região da costa central do país, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
O terremoto ocorreu às 18h04 no horário local e teve seu epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, cerca de 280 quilômetros a oeste de Caracas.
Pouco depois, o USGS registrou um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5. O epicentro foi localizado próximo ao município de Yumare, um pouco mais ao norte do epicentro inicial. Segundo o USGS, o intervalo entre os dois tremores foi de 39 segundos.
Delcy Rodríguez disse que os Estados de Caracas, La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón foram afetados pelos terremotos e por mais de 20 tremores secundários. Diante da situação, foi decretado estado de emergência.
Rodríguez mencionou “graves consequências” e manifestou solidariedade às famílias que possam ter perdido entes queridos.
Ela confirmou que a Venezuela espera receber equipes de resgate dos Estados Unidos, República Dominicana, El Salvador, México e Catar ao longo desta quinta-feira (25/06) e agradeceu aos governos estrangeiros pela solidariedade.
“Estamos empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar”, disse ela.

Imagens registradas em Caracas e La Guaira mostram diversos edifícios desabados e muitos outros com sérios danos estruturais. O alerta emitido pelo USGS indica a possibilidade de vítimas fatais e perdas econômicas significativas.
O tremor levou à evacuação de numerosos prédios na capital, e milhares de pessoas permaneceram nas ruas por medo de novas réplicas.
Segundo o Itamaraty, os terremotos também foram sentidos na Região Norte, em áreas do território brasileiro próximas à fronteira com a Venezuela.
O governo brasileiro expressou pesar pelas perdas causadas pelos terremotos.
“O Brasil manifesta sua solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela e deseja uma rápida recuperação aos feridos”, disse o Itamaraty, em nota. O governo do Brasil disse que os brasileiros afetados devem entrar em contato com a embaixada brasileira pelo telefone +58 414-3723337.
O prefeito de Belém, Igor Normando, afirmou que prédios chegaram a ser esvaziados em algumas áreas da cidade como precaução, mas não houve danos ou vítimas.
“Seguimos monitorando a situação e adotando todas as medidas necessárias para garantir a segurança da população”, acrescentou.
Em seu pronunciamento, Delcy Rodríguez agradeceu a líderes de diversos países, inclusive ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Trump havia escrito anteriormente na rede Truth Social que os EUA “estão prontos, dispostos e aptos a ajudar”, acrescentando que havia “orientado todas as agências do nosso governo a se prepararem para agir rapidamente”.
Nas redes sociais, Rodríguez acrescentou à sua expressão de gratidão que “a Venezuela jamais esquecerá a mão amiga estendida ao nosso povo nestes tempos difíceis”.
O Serviço Geológico dos EUA afirmou que é provável que haja um elevado número de vítimas e danos extensos na Venezuela.
“É provável que o desastre seja generalizado”, e fortes tremores secundários podem ocorrer na sequência, segundo o USGS.
De acordo com a agência, há 44% de probabilidade de mais de 10 mil mortes e 30% de chance de ultrapassar 100 mil.
Existe também um risco significativo de deslizamentos de terra e de liquefação do solo. A liquefação é um fenômeno que afeta sedimentos pouco compactados durante um terremoto e assemelha-se a um deslizamento lateral de terra.

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Alertas de tsunami e aeroporto fechado
Após os terremotos, alertas de tsunami foram emitidos para a Venezuela, Aruba e Bonaire, além de avisos preventivos para Porto Rico e as Ilhas Virgens Britânicas, de acordo com o Sistema de Alerta de Tsunamis dos EUA. Posteriormente, todos esses alertas foram cancelados.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, informou que equipes de segurança, proteção civil, bombeiros, policiais e voluntários foram mobilizadas para atender as áreas afetadas.
Ele recomendou que a população evacuasse edifícios devido ao risco de novas réplicas e relatou situações críticas em bairros de Caracas, como Los Palos Grandes e Altamira.
O prefeito do município de Chacao, Gustavo Duque, informou o desabamento de um prédio de oito andares e outro de doze andares. Segundo ele, 18 pessoas foram resgatadas com vida.
Como medida preventiva, o fornecimento de gás natural foi interrompido nas regiões afetadas para evitar acidentes.
Além disso, houve cortes de energia elétrica, falhas na internet, suspensão das operações do metrô de Caracas, interrupções em linhas ferroviárias e problemas no abastecimento de água em várias localidades.
Em pronunciamento durante a noite, o governo Venezuelano anunciou o fechamento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, principal terminal aéreo que atende a região de Caracas.
A presidente interina Delcy Rodríguez confirmou que o aeroporto sofreu “danos graves” em sua infraestrutura e que as operações foram suspensas por tempo indeterminado.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram momentos de pânico no Aeroporto Internacional de Maiquetía, onde dezenas de pessoas correram enquanto o terremoto acontecia.
A presidente interina pediu calma e união à população e anunciou a criação de um gabinete de crise composto por altos funcionários do governo.
“A primeira mensagem para nossa população é manter a união para salvar vidas”, declarou em pronunciamento nacional.
O governo anunciou ainda a suspensão das aulas e das atividades econômicas não essenciais nos próximos dias.
‘O mais forte que senti na vida’
“Foi o tremor mais forte que senti na minha vida”, diz Nicole Kolster, jornalista e colaboradora da BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Ela mora no 7º andar de um apartamento no bairro Los Palos Grandes, no centro de Caracas, onde o terremoto foi sentido com intensidade.
“Começou a tremer, vi como as janelas se moviam, e o que me ocorreu fazer foi me colocar entre a porta de entrada e uma parede de pedra, que, na minha opinião, é bastante resistente, para tentar me proteger”, relata Kolster.
Ela permaneceu ali “por um bom tempo”, até que ouviu os vizinhos gritarem para que descesse à rua.
“É a primeira vez em 37 anos que sinto um tremor dessa magnitude. Foi tão forte que pensei que o prédio fosse cair sobre mim”, relata, enquanto conta à BBC News Mundo que, entre os escombros de um edifício desabado, é possível ouvir pessoas pedindo socorro.
Nas fotos e vídeos compartilhados, vê-se os vizinhos na rua, alguns chorando, outros abraçados.

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Diversos edifícios foram evacuados na capital. Uma testemunha relatou à Reuters que o tremor causou rachaduras em seu apartamento e que os vidros se quebraram.
“O prédio estava balançando. A polícia me ajudou a descer porque eu não conseguia”, disse María Romero, uma aposentada de 80 anos que vive no sul de Caracas.
O USGS alerta que novas réplicas, potencialmente fortes, ainda podem ocorrer nas próximas horas ou dias.

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Cabello confirmou à televisão estatal que casas e edifícios desabaram em consequência do terremoto e acrescentou que “todos os órgãos de segurança e assistência, proteção civil, voluntários, bombeiros e policiais estão mobilizados”.
O ministro pediu a todos os venezuelanos nas áreas afetadas que evacuem os edifícios para permanecerem em segurança em caso de novas réplicas e fez um apelo por calma.
Sobre a capital, informou que “há várias áreas em situação complicada”, na zona leste da cidade, como os bairros de Los Palos Grandes e Altamira, onde “há situações alarmantes” devido ao desabamento de construções.
Pior terremoto após 1900
Um dos terremotos da noite de quarta-feira foi o mais forte registrado no país desde 1900, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos.
O primeiro terremoto teve magnitude de 7,2 registrada pelo USGS, seguido por um segundo tremor de magnitude 7,5 menos de um minuto depois.
O catálogo de terremotos da agência governamental indica que um terremoto de magnitude 7,7 atingiu as proximidades da costa da Venezuela em 29 de outubro de 1900, evento conhecido como o terremoto de San Narciso.
Um dos fatores cruciais que determinam o impacto de um terremoto na população é a profundidade em que ele ocorre em relação à superfície da Terra.
Um terremoto acontece quando duas partes da Terra se deslocam repentinamente uma em relação à outra, liberando uma grande quantidade de energia. Quando essa energia chega à superfície, provoca tremores no solo.
Quanto mais próximo da superfície, mais intensos são os tremores e maior o potencial de danos.
Os dois terremotos em rápida sucessão de quarta-feira foram muito superficiais, ocorrendo a menos de 30 km de profundidade.
Solidariedade mundial
Líderes mundiais estão manifestando seu apoio à Venezuela.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou na rede social X sua solidariedade às vítimas, aos seus entes queridos e às equipes mobilizadas no local.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, declarou todo apoio da Espanha às pessoas na Venezuela, acrescentando que seus pensamentos e os do país estão voltados para as vítimas e suas famílias.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse em entrevista coletiva que o país faria o possível para ajudar a Venezuela, acrescentando que, até o momento, não havia relatos de vítimas chinesas.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, informou que 300 socorristas e paramédicos, juntamente com 50 toneladas de equipamentos, medicamentos e suprimentos essenciais, estão prontos para serem enviados do país a Caracas.
O gabinete do presidente argentino Javier Milei afirmou que o presidente “expressa sua mais profunda solidariedade ao povo venezuelano após os fortes terremotos que atingiram a região costeira norte da Venezuela na quarta-feira”.
“Independentemente de quaisquer diferenças que possam existir entre nossos governos, o presidente Javier G. Milei estende sua mão em solidariedade ao povo venezuelano diante de um desastre natural que exige uma resposta de toda a comunidade internacional.”













