As ações do Nubank recuavam 5,38%, a US$ 12,24, na bolsa de Nova York (Nyse), perto das 16h (de Brasília), com os investidores repercutindo as demonstrações financeiras divulgadas ontem à noite. A plataforma financeira digital reportou lucro líquido de US$ 871,4 milhões, recuo de 5% em relação ao último trimestre de 2025 e um pouco abaixo das previsões dos analistas, que esperavam alta entre 6% e 8%.
Mas o que chamou a atenção foi o aumento das provisões para devedores duvidosos (PDD) em 33%, para US$ 1,79 bilhão, em ritmo maior do que a expansão da carteira de crédito no período, de 7%, para US$ 37,2 bilhões.
O Itaú BBA destaca em relatório que o banco provisionou 154% da formação de créditos não performados (NPL), o que elevou o índice de cobertura em 30 pontos percentuais. “A transição do estágio 2 para o estágio 1, corrigindo esse problema no primeiro trimestre, pareceu normal”, afirmou o time de pesquisa do setor financeiro, liderado por Pedro Leduc. “No final, a receita líquida de juros ajustada ao risco caiu 4% em relação ao trimestre anterior, com probabilidade de recuperação ao longo do ano.”
Os analistas ainda destacam que as despesas operacionais ficaram nominalmente estáveis em comparação com o quarto trimestre, mas a eficiência melhorou. No fim, o lucro antes dos impostos superou as expectativas em 10% em relação ao que o Itaú BBA previa, enquanto uma alíquota de Imposto de Renda mais alta do que o esperado compensou os lucros em linha com as expectativas.
A carteira de crédito cresceu acima das estimativa da área de pesquisa do Itaú BBA, impulsionada por cartões de crédito, com alta de 36% em 12 meses, para US$ 24,3 bilhões, e empréstimos sem garantia (27%), a US$ 9,9 bilhões. O crédito consignado, com garantia em folha de pagamento, do FGTS e o imobiliário, ainda representa uma pequena parcela de 8% do mix, mas avançou 38% em relação ao ano anterior.
“Essa mudança na composição está alinhada à estratégia e é o principal motivo pelo qual tanto a receita líquida de juros quanto a margem líquida de juros continuam a se expandir, mas também explica o aumento paralelo no provisionamento.
“O total de clientes atingiu 135,2 milhões (4,2 milhões em relação ao trimestre anterior; México com 15 milhões), em linha com a estimativa do Itaú BBA, de 135 milhões, com a receita média por cliente ativo do Brasil crescendo 23% em relação ao ano anterior, para US$ 15,9, à medida que a monetização continua a crescer mais rapidamente do que a base de clientes.”
No geral, o primeiro trimestre mostrou o aumento esperado nas provisões, mas também volumes fortes, receita e eficiência”, afirmam. “O banco começa o ano muito bem provisionado para o crescimento do ano fiscal de 2026 e para as melhorias usuais nos negócios que ocorrem após o primeiro trimestre.”
Eles citam que as ações vêm sendo negociadas a 16 vezes o preço/lucro estimado para 2026 e a 13 vezes na cotação atual, entre os níveis mais baixos da história do Nubank. O Itaú BBA tem indicação de compra para as ações, com um preço-alvo de US$ 20,00 para 2026, o que representa um potencial de valorização de 66% em relação à cotação atual.
O BTG Pactual também tem indicação de compra para os papéis, com um preço-justo estimado em US$ 22 em 12 meses. A equipe de análise liderada por Eduardo Rosnan comentou sobre o desempenho das ações no after market ontem, com um recuo que chegou a 10%, mas ressalta que a administração foi “muito clara ao afirmar que o aumento das provisões estava totalmente em linha com suas próprias expectativas e continua a refletir uma dinâmica saudável do portfólio subjacente”.
“Continuamos a acreditar que o Nu está bem posicionado para ter um desempenho superior durante um ciclo de crédito mais desafiador no Brasil, embora as preocupações com a deterioração da qualidade dos ativos do sistema — e, como consequência, do Nu também — provavelmente não desapareçam no curto prazo e devam continuar a ser um fator negativo para as ações”, escrevem os analistas do BTG.












