Trailer de Dark Horse exibido em reunião do PL tem facada como conluio do sistema contra Bolsonaro
Trecho foi exibido durante um encontro com parlamentares do partido para prestar contas da crise com reportagem do Intercept. Crédito: Divulgação
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deixou claro a interlocutores que atuará estritamente dentro da lei e não aliviará para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito do filme Dark Horse. Nos bastidores da Corte, quando é abordado sobre o tema, ele tem dito que se a investigação indicar elementos concretos que evidenciem a prática de crime, a apuração terá o encaminhamento legal devido.
Segundo apurou a Coluna do Estadão, desde que o episódio veio à tona, Mendonça comentou com pessoas próximas que sua gratidão pela indicação feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro não se sobrepõe ao seu papel institucional na Corte, à sua trajetória profissional nem ao seu compromisso ético. Portanto, deixa claro: sua postura não se trata de traição aos Bolsonaros.
No ambiente de poder em Brasília, avalia-se que o histórico entre Mendonça e Flávio Bolsonaro afasta qualquer expectativa de gestos de proteção ou condescendência institucional. Basta lembrar que, durante as articulações para o preenchimento da vaga no STF, em 2021, o filho “Zero Um” do ex-presidente não fez campanha pelo indicado de seu pai e defendia outros nomes para a Corte, como o então presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins.
No dia da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Flávio manteve atuação discreta, restringindo-se a conversas reservadas de bastidor, sem demonstrações públicas de apoio ou empenho na aprovação do magistrado.

O ministro André Mendonça, do STF, deixou claro a aliados que não vai aliviar para Flávio Bolsonaro no inquérito sobre o filme Dark Horse Foto: Luiz Roberto/TSE
Nesta quinta-feira, 23, o ministro André Mendonça autorizou a abertura formal de inquérito na Polícia Federal para investigar o parlamentar no âmbito dos desdobramentos do Banco Master. Mendonça autorizou a instauração da investigação a pedido da PF e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, entendeu ter elementos para a abertura da investigação.
O nome do senador surgiu nas investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro após a descoberta de mensagens e áudios em que Flávio pedia o repasse de R$ 134 milhões, quantia que seria destinada à produção do longa-metragem sobre Jair Bolsonaro.
Até hoje, o congressista não apresentou prestação de contas dos valores recebidos, o que alimenta suspeitas sobre o uso da verba para outras finalidades, inclusive para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.













