Na Amazônia, onde rios e grandes distâncias frequentemente atrasam o acesso da população aos serviços de saúde, a telemedicina se tornou uma importante aliada da assistência médica. Em Itacoatiara, a 270 quilômetros de Manaus, essa realidade ganhou um novo capítulo com a criação de um protocolo que organizou e ampliou esse atendimento, iniciativa que agora recebeu reconhecimento nacional.
O projeto coordenado pela médica Bruna Borges e sua equipe, iniciou em 2021, em parceria com o Einstein Hospital Israelita, de São Paulo, rendeu uma premiação inédita concedida dentro do maior congresso de saúde pública do mundo, organizado pelo Conselho Nacional das Secretarias de Saúde, realizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Sob o nome de “Saúde em rede nas águas do Amazonas: implementação de protocolo na telemedicina em Itacoatiara (AM)”, o projeto concorreu com mais de 11 mil experiências inscritas de mais de 2 mil municípios brasileiros participantes.
Como premiação, o trabalho desenvolvido no município de Itacoatiara recebeu o certificado de melhor experiência e foi agraciado com a produção e edição de um Webdoc, que vai fazer parte dos anais e do portfólio do Ministério da Saúde com divulgação internacional.
“Quando fiz a inscrição do projeto, o objetivo foi mostrar toda a história da implantação do protocolo que eu construí para fazer a telemedicina funcionar da melhor forma possível em Itacoatiara, não só oferecendo consulta para o paciente, mas também todo o acompanhamento e até medicamentos de alto custo”, disse a médica-pesquisadora.
Receptividade
Bruna Borges, que é coordenadora da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, avalia que durante esses cinco anos de existência, o projeto avançou, evoluiu e fez uma transformação no atendimento a usuários do SUS em Itacoatiara que precisam de serviços especializados.
De acordo com a médica, atualmente, a telemedicina praticada com os protocolos desenvolvidos por ela e sua equipe, já realizou mais de 8 mil atendimentos entre 12 especialidades médicas.
“Telemedicina é uma fortaleza para os municípios, especialmente aqueles mais distantes. É uma forma de otimizar o atendimento aos pacientes que estão em lugares mais remotos, mas não apenas isso, aqui em Itacoatiara oferecemos atendimento, tratamento e seguimento pela rede”, defendeu a médica.
Ela acrescentou, ainda, que o protocolo criado sobre a telemedicina vai auxiliar os futuros médicos que estudam na instituição, em Itacoatiara. “A telemedicina é uma realidade viável e, durante a formação acadêmica, os alunos já estão sendo apresentados a este novo formato e estimulados a desenvolver um olhar ainda mais sensível para essa modalidade”, disse.
A médica reforçou que, atualmente, os pacientes que precisam de medicamentos de alto custo não precisam mais se deslocar até à capital amazonense para receber a medicação. “Nós fazemos isso pra ele. Está dentro do protocolo. Nosso paciente que depende de medicações que chegam a custar mais de 15 mil reais por mês, hoje recebe seu tratamento dentro do município, sem se deslocar para capital “, finalizou.













