O número de novos casos de câncer no mundo deve saltar dos 20,6 milhões registrados em 2024 para quase 35 milhões em 2050, segundo estima o Relatório Global sobre a Situação do Câncer 2026, documento da Organização Mundial da Saúde (OMS) feito em parceria com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês).
O relatório, divulgado nesta quarta-feira, 8, ainda alerta que aproximadamente 92% da população mundial será afetada de alguma forma, seja recebendo o diagnóstico ou convivendo com pessoas próximas adoecidas pelo câncer.

Casos de câncer devem atingir 35 milhões até 2050, alerta OMS Foto: freshidea/Adobe Stock
Desigualdade transparece nos índices
O relatório reforça que cerca de quatro em cada dez casos de câncer estão associados a fatores de risco modificáveis, como tabagismo, consumo de álcool, infecções como HPV e hepatites B e C, obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e poluição do ar.
Contudo, mesmo considerando os avanços em prevenção – como aumento da cobertura vacinal, controle do tabagismo e até melhorias ligadas ao saneamento básico e higiene –, a OMS aponta que o acesso ao diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos continua marcado pela desigualdade entre os países.
Um dos exemplos diz respeito ao câncer de mama. Em países de alta renda, a sobrevida após o diagnóstico chega a 87% dos casos registrados; já nos países de baixa renda, esse índice cai para 42%.
O relatório também mostra que menos de um terço dos países oferece tratamento oncológico dentro de seus pacotes de cobertura universal de saúde, deixando milhões de pacientes dependentes de gastos próprios ou da rede privada.
“O câncer é uma doença profundamente pessoal que afeta quase todos nós, mas a sobrevivência de uma pessoa ao câncer nunca deveria depender de onde ela nasceu ou de sua renda”, apontou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em nota da entidade sobre a apresentação do documento.
Segundo ele, o cenário demonstra uma crise global em evolução, que demanda respostas mais rápidas e equitativas dos sistemas de saúde.

Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, sobreviver ao câncer não deveria depender de onde a pessoa nasceu ou de seu nível de renda Foto: Martil Trezzini/Martil Trezzini/Keystone via AP
Impactos vão além da saúde
A doença também produz consequências econômicas, emocionais e sociais importantes. De acordo com a primeira pesquisa conduzida pela OMS com pessoas afetadas pelo câncer, pelo menos 45% relataram dificuldades financeiras relacionadas ao tratamento. Além disso, mais da metade afirmou enfrentar problemas de saúde mental, enquanto praticamente todos os cuidadores alegaram vivenciar sobrecarga e isolamento social.
Já no cenário econômico, segundo o novo relatório da OMS, entre 2020 e 2050 o câncer poderá ter um ônus equivalente a cerca de 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Esse impacto financeiro se justificaria tanto em razão das mortes prematuras quanto pela perda de produtividade em decorrência da doença.
Por isso, o investimento em prevenção e tratamento é incentivado. “Os governos podem esperar um retorno de US$ 9,50 para cada dólar investido na prevenção e no controle do câncer”, estima o relatório.
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Mudanças necessárias
Para enfrentar o aumento previsto dos casos, a OMS e o IARC defendem que o combate ao câncer seja cada vez mais centrado nas necessidades das pessoas afetadas pela doença, como pacientes e suas famílias.
Entre as principais recomendações estão ampliar a cobertura universal em saúde, fortalecer políticas de prevenção, investir na formação de profissionais, expandir a proteção social e garantir que os avanços científicos cheguem de forma mais equitativa aos diferentes países.
Segundo a OMS, as decisões tomadas nesta década serão determinantes para reduzir o impacto do câncer nas próximas gerações, além de diminuir as desigualdades percebidas hoje no cuidado oncológico.












