Diretor da CIA se reúne com autoridades cubanas em Havana


O diretor da CIA, John Ratcliffe, liderou uma delegação dos EUA a Havana para se reunir com autoridades do governo cubano nesta quinta-feira (14), enquanto a ilha enfrenta um colapso em seu setor energético em meio à deterioração das relações com os EUA.

“Após o pedido do governo dos EUA para que uma delegação presidida pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, fosse recebida em Havana, a Diretoria Revolucionária aprovou a realização desta visita e a reunião com seu homólogo do Ministério do Interior”, diz um comunicado do governo cubano.

O encontro com o chefe da CIA, a mesma agência que Cuba há muito acusa de sabotar sua revolução, ocorre em um momento em que as tensões entre os antigos rivais da Guerra Fria atingiram o ponto mais alto em décadas.

Havana afirmou que suas autoridades enfatizaram na reunião que Cuba “não constitui uma ameaça à segurança nacional dos EUA” e que não há “razões legítimas” para incluí-la na lista de Estados patrocinadores do terrorismo dos EUA, como ocorreu durante o governo Trump.

Eles também insistiram que o país não abriga, apoia ou financia terroristas – algo de que os EUA o acusam há muito tempo – e negaram abrigar bases militares ou de inteligência estrangeiras.

Duas fontes familiarizadas com a reunião confirmaram à CNN que o diretor da CIA fez a viagem.

A notícia da reunião surge apenas dois dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter sugerido que seu governo estava se preparando para conversar com Cuba, alegando que a ilha era um “país falido” que pedia ajuda em meio a uma crise econômica crescente.

“Cuba está pedindo ajuda e vamos conversar!!! Enquanto isso, estou indo para a China!”, escreveu Trump em uma publicação na rede social Truth Social.

Os comentários do presidente vêm depois que seu governo intensificou recentemente as sanções contra Cuba e meses após ter imposto, na prática, um bloqueio de petróleo ao país. Eles também vêm depois que os militares dos EUA aumentaram os voos de coleta de informações na costa de Cuba.

Além de um carregamento de petróleo russo doado, autoridades cubanas dizem que estão sem receber qualquer remessa de petróleo dos EUA há mais de quatro meses.

A doação russa do final de março se esgotou e as reservas de petróleo que alimentam a debilitada rede elétrica da ilha estão praticamente esgotadas, afirmou o ministro cubano de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, em um pronunciamento televisionado na noite de quarta-feira (13).

Os comentários do ministro vieram poucas horas após o Departamento de Estado americano anunciar que os EUA estavam oferecendo US$ 100 milhões em ajuda à ilha para realizar “reformas significativas no sistema comunista cubano”.

No dia seguinte, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, sugeriu, em publicação na rede social X que Cuba estaria aberta a receber ajuda dos EUA, mas que “o levantamento ou o alívio do bloqueio” seria preferível.

“Se houver realmente uma vontade por parte do governo dos Estados Unidos de fornecer ajuda… não encontrará obstáculos ou ingratidão por parte de Cuba”, publicou o presidente.

“Aliás, os danos poderiam ser atenuados de uma maneira muito mais fácil e rápida com o levantamento ou o alívio do bloqueio, pois é sabido que a situação humanitária é friamente calculada e manipulada”.

Como parte do pacote de ajuda, os EUA ofereceram a doação de terminais Starlink, que expandiriam a conectividade na ilha e também quebrariam o monopólio do governo cubano sobre a internet.

No mês passado, uma delegação de alto escalão dos EUA se reuniu com autoridades do governo cubano em Cuba, enquanto o governo Trump intensificava seus esforços para pressionar Havana a fechar um acordo.

A delegação do Departamento de Estado enfatizou que o tempo estava se esgotando para Havana “implementar reformas essenciais apoiadas pelos EUA antes que as circunstâncias piorem irreversivelmente”, disse um funcionário do Departamento de Estado americano à CNN.

A delegação dos EUA destacou “a necessidade de Cuba realizar reformas econômicas e de governança significativas para aumentar a competitividade, atrair investimentos estrangeiros e permitir o crescimento liderado pelo setor privado”, segundo o funcionário.

A comitiva também exigiu que o governo cubano libertasse presos políticos e aumentasse as “liberdades políticas”, disse o funcionário, e expressou preocupação “com a atuação de grupos estrangeiros de inteligência, militares e terroristas com permissão do governo cubano a menos de 160 quilômetros do território americano”.

Foi a primeira vez que uma aeronave do governo dos EUA pousou em Cuba – além da base americana na Baía de Guantánamo – desde 2016, quando o ex-presidente Barack Obama visitou o país em meio a um esforço para expandir as relações com Havana.



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