
O mercado de trabalho formal no Amazonas manteve uma trajetória de crescimento constante nos primeiros cinco meses de 2026. De acordo com dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o estado acumulou a abertura de 8.634 novas vagas com carteira assinada entre janeiro e maio.
Apesar do saldo positivo em todos os meses, o ritmo de contratações apresentou uma desaceleração ao longo do período. O ano começou aquecido, com 1.311 empregos gerados em janeiro e 2.060 em fevereiro. Março consolidou-se como o melhor mês do intervalo, registrando 2.076 novos postos de trabalho. A partir de abril, no entanto, a velocidade diminuiu: o quarto mês do ano fechou com 1.710 vagas e maio encerrou o período com 1.477.
Em termos comparativos, o estoque total de vínculos formais no Amazonas atingiu 570.129 em abril — uma alta de 0,30% em relação a março, superando a média nacional de crescimento, que foi de 0,18%. No acumulado de 12 meses até abril, o estado registrou uma expansão de 3,43% no estoque de empregos (18.920 vagas), também acima da média do país (2,27%).
Setor de Serviços lidera; Comércio e Agropecuária oscilam
O grande motor da empregabilidade no estado continua sendo o setor de Serviços, que liderou a criação de vagas em quase todos os meses do semestre. Foram 1.147 postos abertos em janeiro, 1.172 em março, 939 em abril e 785 em maio. Juntos, os setores de comércio e serviços já concentram 68,4% de todos os empregos formais do Amazonas, totalizando 390.524 trabalhadores registrados até abril.
Os outros segmentos da economia mostraram maior instabilidade:
- Indústria: Abriu 1.116 vagas em janeiro e 565 em março, mas sofreu um recuo em abril com o fechamento de 264 postos, ensaiando uma recuperação em maio (+199 vagas).
- Construção Civil: Manteve-se estável e positiva, com destaque para os meses de março (420 vagas) e abril (403 vagas).
- Comércio: Oscilou fortemente. Começou o ano eliminando 1.177 postos em janeiro e fechou mais 57 em março. A recuperação veio em abril (+603) e maio (+171).
- Agropecuária: Acumulou saldo negativo de 51 vagas até abril, mas conseguiu reverter a tendência em maio com a abertura de 42 novos postos.
Dinâmica de Gênero
O comportamento das contratações por gênero variou mês a mês. Em janeiro, as mulheres foram as principais beneficiadas, ocupando 717 das vagas criadas, enquanto os homens preencheram 594. Já no mês de maio, o saldo geral de 1.477 postos dividiu-se em 495 vagas ocupadas por mulheres e 982 por homens.
Além do Caged: Abertura de empresas indica expansão persistente
Para analistas do mercado, o cenário econômico local vai além das carteiras assinadas. O economista Max Cohen aponta que, para uma leitura precisa da realidade amazonense, é fundamental cruzar os dados do Caged com os registros da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea).
“Os números da Jucea mostram que o número de empresas em funcionamento, incluindo microempreendedores individuais (MEIs), passou de 831.746 em dezembro de 2025 para 892.351 em 13 de julho de 2026. É um aumento de aproximadamente 60,6 mil registros, ou 7,3%”, destaca Cohen. Do total de empresas ativas, o comércio e os serviços respondem por 86,7% (773.638 unidades).
O economista pondera, contudo, que a velocidade dessa expansão vem encolhendo gradualmente. O crescimento mensal, que era de 2,19% em dezembro de 2025, recuou para 1,00% em maio, 0,75% em junho e 0,72% em julho. “Há, portanto, uma expansão persistente do universo empresarial, mas em ritmo gradualmente mais moderado”, conclui.
Polo Industrial de Manaus fatura quase R$ 100 bilhões no período
Refletindo o dinamismo da economia regional, o Polo Industrial de Manaus (PIM) apresentou um desempenho robusto no acumulado de janeiro a maio de 2026. O faturamento global do modelo atingiu R$ 99,64 bilhões (o equivalente a US$ 19,26 bilhões na moeda americana).
No que diz respeito à manutenção de postos de trabalho, a Zona Franca de Manaus sustentou uma média mensal de 130.605 empregos ao longo dos cinco meses.
O resultado financeiro foi impulsionado principalmente pelo segmento de Duas Rodas, responsável por 20,73% de participação no faturamento do PIM. Na sequência, os setores mais representativos foram Bens de Informática (20,58%), Eletroeletrônico (16,20%), Químico (11,05%), Termoplástico (10,38%), Metalúrgico (8,67%) e Mecânico (6,42%).













