“Eu fui assediada como primeira-dama”, diz Janja


Socióloga voltou ao tema ao comentar apoio dado à ex-ministra Anielle Franco, alvo de assédio por colega de Esplanada

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, voltou a dizer, nesta 2ª feira (13.jul.2026), que já foi assediada como primeira-dama, durante agendas públicas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A fala foi durante um comentário sobre o apoio que deu à ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco.

Durante entrevista a Daniela Lima e Fernando Canzian no frente a frente, uma parceria entre UOL e Folha de S.Paulo, Janja citou o caso em um comentário sobre o apoio que deu à ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco.

Eu fui assediada como primeira-dama”, disse. Segundo ela, a escolha de não falar sobre o próprio caso antes foi pessoal. “Não falei porque eu não quis. Falei na hora que eu achei que eu tinha que falar”, completou.

Esta não é a 1ª vez que Janja fala publicamente sobre ter sido assediada. Em março de 2026, durante o programa “Sem Censura”, da TV Brasil, ela já havia dito ter sido assediada duas vezes desde que ocupa a função, sem detalhar os episódios.

Janja disse que decidiu tornar público o episódio por entender que, como primeira-dama, poderia dar visibilidade ao problema. Segundo ela, falou sobre o caso para mostrar que “nenhuma mulher está segura”, independentemente do cargo que ocupa, e que o assédio pode ocorrer até mesmo em eventos oficiais, cercados por equipes de segurança.

A então Anielle Franco afirmou ter sido importunada sexualmente pelo então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida. O caso veio a público em 5 de setembro de 2024, em reportagem do jornalista Guilherme Amado, da coluna do Metrópoles. Silvio Almeida foi demitido no dia seguinte, 6 de setembro de 2024.

Janja disse que decidiu apoiar Anielle Franco sem hesitar. “Não preciso tomar uma decisão de que eu vou apoiar uma mulher que tá passando por isso. Eu simplesmente apoio”, afirmou. Ela disse não ter questionado a colega sobre detalhes do caso.

A primeira-dama criticou o que chamou de cobrança excessiva sobre vítimas de assédio. “Os homens cobram demais a gente sobre isso. Por que você não falou? Porque é confortável para eles. A responsabilidade fica no colo de quem sofreu”, disse.

Agenda contra a violência de gênero

O combate à violência contra a mulher é um dos eixos centrais da atuação de Janja como primeira-dama. Ela é uma das articuladoras do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, formalizado em fevereiro de 2026 pelo presidente Lula, o STF (Supremo Tribunal Federal), a Câmara e o Senado. Em junho, percorreu Ceará e Rio Grande do Norte para a adesão dos dois Estados ao pacto.

A primeira-dama também defende publicamente o PL (Projeto de Lei) da Misoginia, que equipara a misoginia ao crime de racismo, e já criticou grupos “red pill”, que segundo ela disseminam discursos misóginos entre jovens nas redes sociais.





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