França enfrenta vaga de calor: agricultura, escolas, comboios e saúde sob pressão


Com a onda de calor a instalar-se sobre grande parte de França durante vários dias, algumas explorações vinícolas adiantam os horários dos trabalhadores sazonais para evitar as horas de maior calor, sobretudo nas tarefas que exigem mais esforço físico.


PUBLICIDADE


PUBLICIDADE

É o que acontece em La Sauve, uma localidade do sudoeste de França, situada no departamento da Gironda. Aqui cultivam-se vinhas destinadas ao Chateau Latorse, e o diretor da quinta decidiu que os trabalhos sazonais passam a começar antes do amanhecer.

‘Em vez de trabalharem das 8h às 12h e das 14h às 18h, começamos às 6h30 e terminamos, no máximo, às 14h30’, explica Daniel Latorse.

Mas esta alteração de horário não pode fazer esquecer as regras de segurança quando se fala de calor intenso.

‘Pedimos-lhes que usem sempre uma t-shirt, calções quando está calor e, sobretudo, um boné para se protegerem, bem como creme solar, para evitar escaldões e insolações, simplesmente’, acrescenta Daniel Latorse.

O despertador toca mais cedo, mas os trabalhadores sazonais não se queixam. Ao adiantarem a jornada de trabalho, escapam ao calor sufocante da tarde e podem descansar quando as temperaturas se tornam difíceis de suportar.

Segundo Hugo, 17 anos, estudante e trabalhador sazonal na exploração, o horário permite descansar à tarde e evitar as horas quentes da tarde porque, diz, ‘é impossível trabalhar nessas alturas‘.

Grande parte da Europa tem de se adaptar

Por toda o território de França, esta onda de calor já está a perturbar o quotidiano. Nas escolas, as salas de aula tornam-se por vezes difíceis de suportar, obrigando algumas autarquias a adaptar horários ou mesmo a suspender atividades. Nos estaleiros de obras, os ritmos de trabalho são reorganizados para evitar as horas de maior calor.

Os transportes estão igualmente sob vigilância, com perturbações já anunciadas em várias linhas ferroviárias, devido ao risco de dilatação dos carris ou de avarias no ar condicionado. A SNCF, empresa ferroviária estatal francesa**,** ajustou, aliás, por várias vezes nos últimos dias, o plano de transporte face às temperaturas elevadas. Setenta e um comboios serão suprimidos em alguns eixos.

Para além dos transportes, outros setores são afetados. Na energia, as centrais nucleares têm de adaptar a produção devido às limitações impostas pelo calor e ao aquecimento dos cursos de água.

A agricultura já enfrenta pressão sobre as culturas e a rega, com solos que secam rapidamente, em profundidade, enquanto o risco de incêndios aumenta significativamente em várias regiões já fragilizadas pela seca.

Nos hospitais, regista-se um aumento de entradas relacionadas com os efeitos do calor, sobretudo entre as pessoas mais vulneráveis.

Segundo os climatologistas, estes episódios de calor surgem cada vez mais cedo no ano e tornam-se mais frequentes e intensos devido às alterações climáticas.

É uma tendência já bem instalada, que abrange grande parte da Europa e obriga os Estados a repensar em profundidade a organização perante as ondas de calor.



Source link

Compartilhe nas Redes

últimas noticias