Governo do Amazonas pagou mais de R$ 350 milhões ao Banco Master desde 2019, aponta levantamento


Júlio Gadelha – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – O Governo do Amazonas destinou mais de R$ 358,9 milhões ao Banco Master S/A entre 2019 e junho de 2026, segundo levantamento que reúne as 200 maiores instituições e empresas beneficiadas por recursos públicos estaduais, divulgado pelo portal RealTime1.

Os valores pagos pelo Estado ao banco ocorreram em um período no qual a instituição financeira passou a ser investigada por órgãos de controle e pela Polícia Federal. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, enquanto a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes financeiros. Na mesma ocasião, o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso.

A crise envolvendo o banco veio a público após dificuldades de liquidez e questionamentos sobre operações financeiras da instituição, incluindo a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade elevada. As investigações apontaram suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de balanços e emissão de títulos sem lastro, conforme apurado pelos órgãos responsáveis.

Histórico de repasses

Os dados do levantamento mostram oscilações nos valores pagos pelo Governo do Amazonas ao Banco Master ao longo dos anos.

Em 2019, os repasses chegaram a R$ 50,8 milhões. No ano seguinte, o montante caiu para R$ 16,5 milhões. Já em 2021, houve um aumento expressivo, com pagamentos de R$ 106,9 milhões, maior valor registrado no período analisado.

Nos anos seguintes, os repasses permaneceram em patamares elevados: foram R$ 58,8 milhões em 2022 e R$ 55,8 milhões em 2023.

A partir de 2024, houve redução nos valores, com R$ 39 milhões pagos naquele ano e R$ 15,6 milhões em 2025. Entre janeiro e junho de 2026, os pagamentos somaram R$ 15,19 milhões.

Investigações e medidas de controle

A movimentação financeira envolvendo o Banco Master passou a ser acompanhada por órgãos de fiscalização após o avanço das investigações sobre a instituição.

Em fevereiro de 2026, a 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Manaus determinou a suspensão dos repasses de empréstimos consignados de servidores vinculados à Fundação Amazonprev destinados ao banco. A medida foi solicitada pelo próprio Governo do Estado e pela Amazonprev após a divulgação de um investimento de R$ 50 milhões em Letras Financeiras da instituição.

Os valores dos consignados passaram a ser depositados em conta judicial como forma de preservar os recursos previdenciários enquanto as apurações seguem.

Em março de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sine Consensu, em Manaus, para investigar a aplicação de até R$ 390 milhões da previdência estadual em Letras Financeiras privadas, incluindo investimentos relacionados ao Banco Master. A investigação apura se houve descumprimento de critérios de governança e normas federais.

O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), por meio do Ministério Público de Contas (MPC), também abriu procedimento para analisar os critérios técnicos utilizados nas operações financeiras.

Em nota, a Amazonprev informou que colabora com as investigações, afirmou ter afastado servidores citados no inquérito e declarou que o Fundo de Previdência do Amazonas permanece superavitário, sem comprometimento do pagamento de aposentados e pensionistas.



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