Lateral por meia? Entenda ‘correção de rota’ feita por Ancelotti ao chamar Éderson para o lugar do cortado Wesley


A pior notícia se concretizou para Wesley. Com uma lesão na coxa esquerda confirmada por exames, o jogador de 22 anos foi cortado da Copa do Mundo. Com esta situação posta, o técnico Carlo Ancelotti bateu o martelo sobre o substituto. Enquanto se especulava entre Paulo Henrique, do Vasco; e Vitinho, do Botafogo, os outros dois laterais-direitos da lista larga enviada à Fifa, a CBF anunciou que o meia Éderson, da Atalanta, irá se juntar ao grupo ainda hoje. Uma decisão que, embora surpreenda o torcedor, é compreensível.

Ainda que indesejado, o corte de Wesley representou uma oportunidade para Ancelotti fazer uma correção de rota na montagem do elenco. Já que Danilo e Ibañez podem jogar na lateral direita, o italiano aproveitou para crescer o meio de campo. O setor era o mais esvaziado da seleção, com apenas cinco integrantes, sendo apenas um meia.

O número baixo em comparação às convocações para as Copas anteriores — que variaram entre seis e oito meio-campistas nas últimas décadas — reflete a crise de jogadores brasileiros mais cerebrais vivida no país. Ancelotti vinha tentando compensar com o esquema com quatro atacantes. Só que, na reta final de preparação, a necessidade de ter alternativas para jogar com três do setor ficou evidente.

Foi com esta formação que o Brasil jogou melhor contra o Panamá (no segundo tempo) e contra o Egito (na etapa inicial), conseguindo criar mais, potencializando os atacantes e disputando melhor o meio de campo por não estar mais em desvantagem numérica. Sempre com Paquetá como este terceiro homem.

Só que o desempenho promissor da seleção neste esquema jogou luz para o fato de não haver uma opção ao meia do Flamengo. Neymar, que não treinou com o grupo na primeira semana nos Estados Unidos, até poderia fazer esta função. Mas só quando o time tiver a bola. Defensivamente, Ancelotti não pode contar com ele.

—O Ancelotti está assistindo as coisas. Contra o Panamá, a gente (o time do primeiro tempo, com apenas dois homens no meio) ficou muito exposto. Hoje, ele colocou mais um cara no meio. Acho que a gente defendeu bem melhor, no meu ponto de vista, e construiu melhor também. Tivemos mais chances de fazer gols no primeiro tempo. Mas o homem sabe o que está fazendo — comentou Bruno Guimarães.

Este contexto ajuda a explicar porque Éderson foi o escolhido. Mesmo no meio de campo, outros jogadores pareciam mais à frente dele, que só fora lembrado por Ancelotti em sua primeira convocação, há um ano. Andrey Santos, do Chelsea, vinha sendo chamado com frequência. Gabriel Sara, do Galatasaray, esteve na última lista antes da Copa. Mas o meia da Atalanta é mais versátil, tem perfil mais criativo e é destro, em oposição aos canhotos Paquetá e Danilo Santos.

A escolha sinaliza que Ancelotti considera a formação com três no meio mais do que para apenas alguns momentos dos jogos. O técnico terá esta semana para fazer os preparativos finais e definir se este será o esquema da estreia no Mundial contra Marrocos, sábado, em Nova Jersey. Ele se mostrou muito satisfeito com a atuação da equipe diante do Egito.

— Fizemos 60 minutos bons, em nível defensivo e ofensivo. Pressionamos alto, bem, equipe jogou com intensidade, respeitando o plano do jogo. Então, (saio com) muito mais certezas — disse após o jogo.



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