Cinco anos de coluna no BNC-Amazonas passaram mais rápido do que eu imaginava. Nesse tempo, todos os sábados trouxeram o mesmo desafio: sentar, escrever e tentar dizer algo que fizesse sentido para quem está do outro lado.
Quando comecei, achei que escrever seria a parte mais simples. Afinal, eu já escrevia. A academia nos forma para isso. No entanto, rapidamente percebi que escrever para um público mais amplo, fora do circuito especializado, exige outra postura. Aqui, não basta dominar o conteúdo. Eu preciso ser compreendido.
Esse foi o primeiro deslocamento importante. Na universidade, escrevemos, em geral, para um público especializado, que compartilha referências e códigos. No BNC, escrevo para um público mais amplo e diverso, que não necessariamente parte dos mesmos pressupostos. Isso muda tudo. Eu precisei reaprender a construir frases, encurtar caminhos e abandonar excessos.
Aos poucos, fui ajustando o modo de escrever: não abandonei a preocupação com a qualidade do texto, mas passei a colocá-la a serviço da comunicação. A escrita continuou exigente, mas se tornou mais clara, mais direta e mais atenta ao leitor.
O SEO e a tradução
Traduzir a linguagem científica se tornou, então, o maior desafio desses cinco anos. Não se trata de simplificar ideias, mas de torná-las inteligíveis. Eu precisei equilibrar rigor e clareza. Nem sempre acertei. No entanto, aprendi com o próprio processo.
Ao mesmo tempo, enfrentei um obstáculo que a formação acadêmica simplesmente ignora: a lógica da internet. O SEO – Search Engine Optimization – entrou na minha rotina quase como um incômodo. Frase-chave, meta descrição, distribuição de palavras, tudo isso parecia, no início, uma burocracia do texto.
Com o tempo, mudei de posição. Entendi que escrever bem, hoje, também envolve saber como o texto circula. Não basta produzir conteúdo de qualidade. O texto precisa chegar ao leitor. Nesse sentido, aprender SEO não empobreceu a escrita. Pelo contrário, me obrigou a organizar melhor as ideias e a ser mais direto.
Além disso, a escrita semanal me ensinou algo fundamental: disciplina. Mesmo quando o tema não está claro, o texto precisa sair. Com o tempo curto ou a vontade ausente, o processo continua. A constância deixou de depender de inspiração e passou a depender de método.
Nesse percurso, também mudei como autor. Os primeiros textos carregavam mais marcas da linguagem acadêmica. Hoje, escrevo de forma mais fluida, mais direta e mais consciente do leitor. Não abandonei a complexidade. Aprendi a comunicá-la melhor.
Considerações finais
Por fim, há algo que se tornou cada vez mais evidente: escrever todos os sábados também é um ato de resistência. Em um ambiente marcado pela velocidade e pela desinformação, insistir na análise, no argumento e na reflexão exige posição.
Cinco anos de coluna no BNC-Amazonas não são apenas uma marca pessoal. São a construção de um espaço de diálogo. Um espaço em que a sociologia encontra o cotidiano, em que a teoria ganha forma no presente e em que a escrita se transforma em compromisso.
No próximo sábado, como sempre, eu estarei aqui.
O autor é sociólogo*












