Mais de 53% dos trabalhadores do Amazonas estão na informalidade – Vocativo


A informalidade atingiu 53,2% dos trabalhadores ocupados no Amazonas no primeiro trimestre de 2026. Dados do IBGE mostram crescimento do desalento, perda de empregos formais e retração industrial, apesar da queda da taxa de desemprego registrada no estado no início do ano

Manaus, 15 de maio de 2026 – Mais da metade da população ocupada no Amazonas trabalhou na informalidade no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora a taxa de desocupação tenha recuado de 10% para 8,3% em relação ao mesmo período do ano passado, os novos indicadores da PNAD Contínua revelam avanço do trabalho precário, aumento do desalento e retração do emprego formal em setores estratégicos da economia estadual.

A taxa de informalidade no Amazonas atingiu 53,2%, uma das maiores do país, atrás apenas do Pará. O percentual significa que mais da metade dos trabalhadores ocupados atuava sem carteira assinada, sem CNPJ ou fora das garantias previdenciárias e trabalhistas previstas na legislação. No mesmo período, o estado contabilizou 66 mil pessoas desalentadas, grupo formado por trabalhadores que desistiram de procurar emprego por não enxergarem oportunidades no mercado.

O cenário ocorre em meio ao aumento sazonal do desemprego registrado no país no início do ano. No Brasil, a taxa de desocupação subiu para 6,1% no primeiro trimestre de 2026, enquanto Norte e Nordeste continuaram concentrando os maiores índices de vulnerabilidade no mercado de trabalho. O Amazonas permaneceu acima da média nacional de desocupação e apresentou crescimento dos indicadores ligados à subutilização da força de trabalho.

Os dados mostram que o estado possuía 3,2 milhões de pessoas com 14 anos ou mais de idade no trimestre encerrado em março. Desse total, 1,9 milhão integravam a força de trabalho e 1,3 milhão estavam fora dela. Em relação ao primeiro trimestre de 2025, o número de pessoas fora da força de trabalho cresceu 5,6%, indicando aumento do contingente afastado das atividades econômicas.

Amazonas tem uma das maiores taxas de informalidade do país. Foto: Antônio Pereira / Semcom

Trabalho sem proteção formal cresce no estado

A precarização das relações de trabalho apareceu de forma mais evidente nos vínculos sem formalização. O Amazonas encerrou o primeiro trimestre com 249 mil trabalhadores do setor privado sem carteira assinada, além de 64 mil trabalhadores domésticos também sem registro formal. Entre os trabalhadores por conta própria, apenas 44 mil possuíam CNPJ, enquanto 484 mil atuavam de maneira informal.

Os números apontam ainda retração do emprego formal no setor privado e crescimento compensatório das ocupações sem carteira assinada. Enquanto o número de empregados formais caiu, as vagas informais avançaram no estado, consolidando um movimento de substituição de postos protegidos por relações de trabalho mais instáveis e vulneráveis.

O crescimento do desalento se tornou outro ponto de alerta nos indicadores do Amazonas. O estado registrou aumento de 27,6% no número de pessoas desalentadas em relação ao trimestre anterior. A taxa composta de subutilização da força de trabalho chegou a 16,9%, acima dos 14,6% observados no fim de 2025.

Apesar da redução anual da taxa de desocupação, o contingente de pessoas ocupadas apresentou retração tanto na comparação trimestral quanto na anual. O Amazonas perdeu 58 mil ocupados em relação ao trimestre imediatamente anterior e fechou o período com 22 mil trabalhadores a menos do que no primeiro trimestre de 2025.

O nível de ocupação no estado caiu para 54,9%, enquanto a taxa de participação na força de trabalho recuou para 59,9%. Os dois indicadores apontam redução do número de pessoas efetivamente inseridas ou buscando inserção no mercado de trabalho amazonense.

Indústria perde vagas enquanto comércio amplia ocupações

A indústria geral registrou a maior retração entre os setores econômicos do Amazonas no período analisado. O segmento perdeu 21 mil trabalhadores em um ano, reduzindo o contingente de ocupados de 229 mil para 208 mil pessoas. O setor de transporte, armazenagem e correio também apresentou queda anual no número de ocupados.

Em sentido contrário, comércio e construção civil registraram crescimento na quantidade de trabalhadores. O grupamento de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas passou de 308 mil para 326 mil ocupados, enquanto a construção avançou de 101 mil para 106 mil trabalhadores.

A administração pública, educação, saúde e serviços sociais continuou sendo o principal empregador do Amazonas, reunindo 355 mil trabalhadores. O setor público estadual contabilizou 298 mil ocupados, incluindo servidores estatutários e militares, com crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em Manaus, a taxa de desocupação ficou em 8,8%, abaixo dos 10,1% registrados no primeiro trimestre de 2025. O rendimento médio mensal real habitual alcançou R$ 3.279 na capital, enquanto no estado chegou a R$ 2.770, representando crescimento anual de 7,9%.

Mesmo com a alta do rendimento médio, a massa de rendimento mensal real habitual do Amazonas apresentou retração de 2,6% frente ao trimestre anterior. O volume total movimentado pelos trabalhadores ficou estimado em R$ 4,541 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

Os indicadores nacionais também mostraram maior vulnerabilidade entre jovens, mulheres e população negra. No Brasil, a taxa de desocupação entre adolescentes de 14 a 17 anos chegou a 25,1%, enquanto entre jovens de 18 a 24 anos atingiu 13,8%. Entre trabalhadores adolescentes ocupados, 72,8% estavam inseridos na informalidade.

Entre as mulheres, a taxa nacional de desocupação ficou em 7,3%, acima dos 5,1% observados entre homens. No recorte racial, pessoas pretas registraram desocupação de 7,6%, enquanto entre brancos o índice ficou em 4,9%, segundo a PNAD Contínua do IBGE.

População fora da força de trabalho cresceu no Amazonas no primeiro trimestre. Ilustração: Fred Santana


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