‘Não sou ladrão’: Casares quebra silêncio sobre acusações no São Paulo


Algumas acusações são sobre desvios de recursos financeiros — revelada, em janeiro, pelo UOL, com acesso exclusivo a relatórios de análise financeira do Coaf. Foram saques em espécie no total de R$ 11 milhões entre 2021 e 2025 e depósitos fracionados que somam R$ 1,5 milhão na sua conta pessoal.

Questionado sobre os valores, ele desviou a responsabilidade de seu cargo: “A saída de dinheiro, o controle de dinheiro, você acha que o presidente vai fazer alguma coisa nesse sentido? Ele vai num caixa do banco tirar, ele pega o dinheiro e vai depositar. Isso é uma fantasia”, afirma.

Casares se apoia nos balanços aprovados pelo Conselho Deliberativo ao longo de sua gestão, entre 2021 e 2024 — apesar de o de 2025 ter sido recusado pelo conselho, após uma auditoria independente da RSM apontar que, em parte dos saques realizados em contas bancárias do clube, não havia documentação suficiente para comprovar a natureza, a destinação e o suporte dos valores: “Eu nunca assinei nenhum pedido de dinheiro e nenhuma saída de dinheiro. Então, é algo estranho. Isso tudo, no tempo certo, será colocado juridicamente. Eu jamais faria um negócio desse”.

“Nós sabemos que tem pagamentos em espécie de bicho e como funciona isso. A diretoria de futebol conversa com as lideranças do futebol e estabelece um valor de prêmio que pode ser por uma fase de classificação ou por um jogo isolado. E ali é o diretor financeiro/contador que exerce essas funções. Esse pagamento é feito por eles. Eu não tenho o poder de levar, e nem faria isso, um envelope de dinheiro para distribuir”, continua.

Procurado, Sergio Pimenta, diretor financeiro do São Paulo, não respondeu aos contatos. Já o São Paulo não quis se manifestar sobre as declarações do ex-presidente. Presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres afirmou que o processo de impeachment seguiu todas as diretrizes estatutárias e que o ex-dirigente teve acesso à ampla defesa em plenário.

Em meio ao processo de impeachment, o Conselho Fiscal do clube solicitou acesso aos extratos bancários do cartão de crédito institucional do presidente, a fim de averiguar se houve gastos irregulares. Casares admitiu ter usado o cartão corporativo para fins pessoais, mas diz que devolveu todo o valor, com correção.





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