Nos EUA, deputados pedem investigação sobre relação de Vorcaro com a família Bolsonaro – CartaCapital


Deputados federais aliados do governo Lula (PT) solicitaram que parlamentares democratas investiguem uma suposta rede financeira, ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que teria operado em território americano em benefício de integrantes da família Bolsonaro, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão Eduardo Bolsonaro.

O documento foi entregue nesta quinta-feira 4, durante uma agenda do grupo em Washington. Integram a comitiva os deputados Pedro Uczai (PT-SC), Pedro Campos (PSB-PE), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e André Janones (Rede-MG).

O alvo central da solicitação é uma suposta conexão entre recursos ligados a Vorcaro, estruturas financeiras da Reag Investimentos e atividades atribuídas a Eduardo no país.

Aos congressistas americanos, os brasileiros argumentaram que há elementos suficientes para justificar a análise de movimentações financeiras, contratos, empresas, fundos de investimento, escritórios de advocacia e estruturas corporativas sujeitas à jurisdição americana.

Uma das hipóteses a ser investigada, de acordo com o pedido, seria a existência de um fluxo financeiro que teria partido de estruturas ligadas ao Banco Master, controlado por Vorcaro, e alcançado empresas ou prestadores de serviços nos EUA, com eventual benefício direto ou indireto ao filho de Jair Bolsonaro.

Reportagens do Intercept Brasil revelaram que o banqueiro repassou ao menos 61 milhões de reais para a produção de uma cinebiografia sobre o ex-presidente. A Polícia Federal apura se os aportes feitos por Vorcaro por meio da Entre Investimentos e do fundo Havengate, localizado nos EUA, foram usados para custear a estadia de Eduardo no país.

O documento também menciona suspeitas envolvendo fundos ligados à Reag e cita investigações sobre possíveis esquemas de lavagem de dinheiro relacionados ao Primeiro Comando da Capital. O fundo de investimento é citado em investigações da PF que miram a infiltração da facção criminosa no mercado formal.

“Esse dado amplia a gravidade da hipótese investigativa, pois desloca a análise para a possível circulação internacional de recursos originados, direta ou indiretamente, de ambiente financeiro já marcado por suspeitas de fraude bancária, lavagem de dinheiro, títulos sem lastro econômico real e infiltração de organização criminosa no mercado financeiro”, alertam.

Outro ponto do texto relaciona a atuação política de Eduardo nos EUA a possíveis tentativas de pressão sobre autoridades brasileiras, motivo pelo qual ele é réu no Supremo Tribunal Federal.

Os deputados argumentam que, caso atividades políticas ou campanhas de comunicação no exterior tenham sido financiadas por recursos de origem ilícita, a jurisdição americana poderia ter sido utilizada para ocultar ou projetar internacionalmente esses recursos.

Eles também citam a recente mobilização de bolsonaristas para que o governo Donald Trump classificasse facções brasileiras como organizações terroristas. Segundo o pedido, é necessário investigar se iniciativas desse tipo tiveram impacto sobre mecanismos de cooperação internacional voltados ao combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.



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