Por que falamos sozinhos e quando isso pode ser um alerta


O hábito muda de cara conforme a fase da vida. Crianças pequenas falam e riem sozinhas para externalizar o que sentem e aprendem, ou durante brincadeiras que envolvem, ou não, amigos imaginários —comportamento que merece atenção redobrada quando acontece associado a mentiras, quando a criança transfere a culpa para alguém imaginário, ou quando passa muito tempo isolada.

Adolescentes e adultos jovens costumam recorrer à autoafirmação diante do espelho, um jeito de reforçar a autoestima sem precisar dividir emoções com outra pessoa. O exercício de autoescuta também ajuda a organizar o raciocínio na hora de tomar decisões ou resolver problemas.

Já no envelhecimento, o hábito de falar sozinho pode se intensificar, com ou sem relação com quadros de demência. As falhas de memória esperadas para a idade começam por volta dos 30 anos e se acentuam a cada década, resultado da perda natural de neurônios —o que explica a dificuldade crescente em lembrar palavras e nomes.

Em quadros como esquizofrenia, falar sozinho pode estar associado à percepção de ouvir vozes
Em quadros como esquizofrenia, falar sozinho pode estar associado à percepção de ouvir vozes Imagem: iStock

Quando o comportamento é sintoma

A diferença começa na percepção: como sintoma de doença, falar sozinho costuma se parecer mais com uma conversa com outra pessoa, sem que o indivíduo perceba. O comportamento pode aparecer na esquizofrenia, quando a pessoa ouve vozes e responde a elas, além de transtornos de humor, psicoses, bipolaridade e depressão. Fora do campo psiquiátrico, também pode estar ligado a problemas de audição.



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