O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes estão novamente no olho do furacão entre Brasil e Estados Unidos, justamente quando o presidente Lula tem a expectativa de um encontro com Donald Trump, à margem do G 7, para discutir a nova onda de tarifas.
A novidade, dessa vez, é que os ataques de Eduardo Bolsonaro e Trump a Moraes ganharam um reforço e tanto com a decisão da Justiça da Itália de negar a extradição da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli, que tem dupla condenação no Brasil. Os argumentos italianos atingem Alexandre de Moraes em cheio.

Postagem de Eduardo Bolsonaro em seu Facebook: “Não estava agenda”, “a foto é IA”… Jovem, aprenda: a cada gol, o grito dos que desejam seu fracasso. Apenas siga adiante. O melhor ainda está por vir! Foto: Eduardo Bolsonaro via Facebook
A primeira turma do STF, a mesma que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão pelo golpe, deve julgar a partir de hoje a denúncia da PGR de que Eduardo, seu filho 03, que mora nos EUA, atuou pessoalmente para coagir o STF e autoridades brasileiras, atiçando Trump para aplicar o tarifaço de 2025, a Lei Magnitsky contra Moraes e a suspensão de vistos contra autoridades.
A seu estilo sempre bélico, que irrita o PL, incomoda a família e preocupa a campanha do 01, Flávio, à Presidência, Eduardo Bolsonaro foi às redes sociais, de véspera, para pedir socorro a Trump e aos secretários Marco Rubio (Estado) e Scott Bessent (Tesouro) contra Moraes.
Chamou o STF de “tribunal político” e Moraes de “violador de direitos humanos”, disse que sua condenação seria “uma retaliação” contra Trump e cobrou a retomada de sanções contra Moraes – “tanto necessária quanto urgente”. De certa forma, portanto, Eduardo confirmou a denúncia da PGR contra ele.
Na outra ponta, a Advocacia Geral da República (AGU) tomou as dores de Alexandre de Moraes e está pedindo à Justiça dos EUA para atuar no processo movido pelas redes sociais Rumble e Trump Media contra o ministro do STF.
Segundo a AGU, seu objetivo é “promover a defesa das instituições do Estado brasileiro”, com base no princípio de que “as decisões da suprema corte do nosso País não podem ser questionadas perante tribunais de Estados estrangeiros”.
O curioso, nessa ação das empresas americanas, uma delas de Trump, é que elas acusam Moraes de “censura”, por suspender perfis nas redes de brasileiros que moram nos EUA, onde, segundo a ação, há “liberdade de expressão irrestrita de ideias e opiniões”.
Como assim? E a expulsão de alunos e professores estrangeiros, o corte de verbas e as chantagens determinados por Trump a universidades que criticaram Israel pela guerra de Gaza?
De toda forma, o Alexandre de Moraes era um, entre julho a dezembro de 2025, quando foi atingido pela Lei Magnitsky, sob acusação de “politização” de decisões, prisões e bloqueio de redes e blogs de bolsonaristas. Agora, é outro.
Naquele momento, Trump aplicou (e depois retirou) sanções contra um ministro do STF que havia liderado a defesa da democracia. Hoje, porém, Moraes é alvo de investigações sobre um contrato de R$ 134 milhões do escritório de advocacia da sua família com o Banco Master, do onipresente Daniel Vorcaro.
Além disso, Trump não está mais sozinho e Eduardo Bolsonaro ganhou um reforço e tanto da Itália, onde a justiça anulou a extradição de Zambelli alegando parcialidade no seu julgamento, no qual Moraes foi, simultaneamente, vítima, investigador, acusador e julgador.
Zambelli não é santa e mereceu as duas penas, uma por violação do sistema de internet do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para plantar um documento falso contra Moraes e outra pela perseguição patética, a mão armada, a um cidadão nas ruas de São Paulo.
Isso, porém, não apaga o fato de tantos juristas terem alertado para a quebra de regras e a temeridade de Moraes sobrepor papéis. Em algum ponto, pode haver um cruzamento entre os argumentos da Itália e as acusações dos EUA, Trump e Eduardo. Mais uma vez, quem estará na berlinda não será um ministro, mas o Supremo Tribunal Federal.













