Sarcopenia aumenta risco de quedas e compromete qualidade de vida de idosos


O envelhecimento do corpo vai muito além das mudanças estéticas. Entre os problemas que mais afetam a população idosa está a sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de massa muscular, que compromete a força, o equilíbrio e a autonomia. Especialistas alertam que o quadro aumenta significativamente o risco de quedas, fraturas e perda da independência ao caminhar ou subir uma escada.


A perda muscular provocada pela sarcopenia pode começar ainda na fase adulta, por volta dos 30 anos, e tende a se acelerar ao longo do envelhecimento. O processo é influenciado por fatores como sedentarismo, alimentação inadequada, alterações hormonais e presença de doenças crônicas, comprometendo gradativamente a força física e a capacidade funcional dos idosos.

Nesta quinta-feira (21), o âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Jota Batista, convesarcopeniarsou, no Canal Saúde, com o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de Pernambuco Rodrigo Patriota, que falou sobre como a sarcopenia pode prejudicar a qualidade de vida do idoso.

Acompanhe a entrevista através dos players abaixo:




O geriatra Rodrigo Patriota deu início ao tema sarcopenia explicando que o envelhecimento fisiológico traz a perda inevitável de músculos e força, um processo que se inicia muito antes da terceira idade e exige atenção precoce

A gente vai ganhando massa muscular e massa óssea até aproximadamente 30 anos de idade. Depois disso, a gente vai perdendo mais do que ganha. Então, quanto mais cedo a gente iniciar a preocupação com a preservação da massa muscular, melhor vai ser para nossa velhice”, afirma o médico.

Rodrigo Patriota, geriatra


O especialista destacou também que apenas se exercitar não é suficiente para combater a sarcopenia, ressaltando o papel vital da alimentação adequada e da suplementação no ganho de massa.

Não é somente fazer exercício, porque exercício sem substrato de proteína não produz músculo. Então a gente precisa ter uma dieta com um bom conteúdo de proteína e naqueles que não conseguem alcançar o mínimo necessário. Também é importante pensar na suplementação protéica, seja com produtos prontos de farmácia, seja com whey”, explica Rodrigo Patriota.


Trazendo uma visão inovadora para além do aspecto físico, Rodrigo Patriota revelou que o combate ao sedentarismo atua diretamente na preservação da mente e das funções cognitivas, evitando a sarcopenia.

Cada vez mais, estudos mostram uma forte conexão entre o sistema muscular e o funcionamento do cérebro. A perda de massa muscular costuma estar associada não apenas à redução da força física, mas também a dificuldades cognitivas, como problemas de memória. Da mesma forma, o fortalecimento da musculatura pode contribuir para melhorias cognitivas, incluindo a memória. Em outras palavras, saúde muscular e saúde cerebral caminham juntas”, destaca.


Por fim, o especialista fez um alerta gravíssimo sobre a consequência mais temida da perda de força: as quedas, detalhando como um simples tombo pode desencadear uma série de complicações severas para a vida do idoso.

Quando o idoso perde massa muscular e força, o risco de quedas aumenta significativamente. Essas quedas podem levar a fraturas graves, como a de fêmur, especialmente porque a perda muscular costuma vir acompanhada da redução da massa óssea. A partir daí, surgem outras complicações: infecções, necessidade de cirurgia e os próprios riscos cirúrgicos. Por isso, a queda é considerada um importante fator de mortalidade entre idosos”, alerta o geriatra.

 

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