As canetas emagrecedoras deixaram de ser um assunto restrito aos consultórios e passaram a ocupar conversas nas redes sociais, entre celebridades e pessoas em busca de mudanças na relação com o corpo. O uso de medicamentos análogos de GLP-1, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, ganhou popularidade pelo efeito sobre a saciedade e o controle do apetite, mas especialistas chamam atenção para um aspecto que pode passar despercebido durante o tratamento: a redução da ingestão de líquidos.
Ao comer menos, algumas pessoas também diminuem a quantidade de água consumida ao longo do dia. A combinação entre menor sensação de fome, possíveis alterações na sede e efeitos gastrointestinais pode favorecer quadros de desidratação, segundo profissionais da área. O alerta não está relacionado ao medicamento em si, mas à necessidade de acompanhar as mudanças que acontecem na rotina alimentar durante o processo de emagrecimento.
“É um risco silencioso porque muitos pacientes não percebem que estão bebendo menos água. O organismo continua precisando de líquidos para funcionar adequadamente e, quando essa ingestão cai de forma importante, os rins podem ficar sobrecarregados”, explica o farmacêutico Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações.
Segundo o especialista, alguns pacientes podem apresentar redução da percepção de sede, conhecida como adipsia, durante o uso desses medicamentos. Além disso, sintomas como náuseas, vômitos e diarreia, relatados por parte das pessoas em tratamento, também podem contribuir para a perda de líquidos.













