O deputado federal Sidney Leite (PSD-AM) afirmou que o crescimento econômico do Amazonas nos últimos dois anos contrasta com o que classificou como “desgoverno” em áreas essenciais, especialmente saúde, educação e segurança pública. A declaração foi feita após a divulgação de dados que apontam avanço do Produto Interno Bruto estadual, impulsionado pela atividade industrial e pelo desempenho da Zona Franca de Manaus.
Segundo o parlamentar, o Amazonas registrou crescimento de 7,13% no PIB no primeiro trimestre de 2026, com destaque para a indústria. Ele atribuiu parte desse desempenho à atuação da bancada federal na aprovação da Reforma Tributária, que, na avaliação dele, deu maior segurança jurídica ao modelo Zona Franca de Manaus. Dados da Suframa mostram que o Polo Industrial de Manaus faturou R$ 58,26 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 2,24% em relação ao mesmo período do ano anterior, mantendo média mensal próxima de 129,8 mil empregos diretos.
“A indústria teve o maior crescimento dos últimos trimestres. Fruto da nossa luta pela aprovação da Reforma Tributária, que trouxe segurança jurídica ao modelo. Outro reflexo é a aprovação de novos 200 projetos de novas indústrias e a geração de mais empregos e riquezas ao nosso estado”, disse Sidney Leite.
O deputado também citou que o crescimento já vinha sendo observado em 2025, quando o PIB estadual teria avançado 7,69% em relação a 2024, acompanhado de aumento na arrecadação. Apesar dos bons indicadores econômicos, Leite afirmou que a expansão da atividade produtiva não se traduziu em melhoria proporcional dos serviços públicos.
Na saúde, o parlamentar criticou a falta de medicamentos, consultas com especialistas, exames, diagnósticos e cirurgias. Ele também apontou atrasos no pagamento de fornecedores e mencionou ameaças de retirada de equipamentos hospitalares instalados em unidades da rede estadual, caso contratos e pendências financeiras não sejam regularizados.
“Já há ameaças de retirar equipamentos hospitalares instalados em importantes unidades da rede pública estadual caso não sejam regularizados contratos e pagamentos que, segundo a empresa, permanecem pendentes há vários anos”, afirmou.
Sidney Leite também direcionou críticas à educação estadual. Segundo ele, há escolas com estrutura precária, problemas no transporte escolar, falta de merenda e ausência de pagamento da data-base de professores. O parlamentar afirmou que crianças e adolescentes estariam perdendo aulas por problemas logísticos e que, quando conseguem comparecer às unidades, enfrentam suspensão de merenda por falta de pagamento.
Na segurança pública, o deputado citou o Atlas da Violência 2026, que registrou taxa de 32,2 homicídios por 100 mil habitantes no Amazonas. Embora o índice represente queda em relação ao ano anterior, quando a taxa era de 38,1, o patamar ainda mantém o estado entre os mais violentos do país, segundo análises baseadas no levantamento do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
“Com isso, o Amazonas aparece entre os seis estados mais violentos do Brasil. O relatório também aponta o fortalecimento das facções criminosas. Enquanto a violência cresce, o governo não chama os aprovados no concurso nem paga a data-base dos profissionais da segurança”, declarou Sidney.
O parlamentar acrescentou que delegacias fecham durante a noite e nos fins de semana, enquanto a população segue enfrentando filas na saúde e medo nas ruas. Para ele, o Amazonas vive uma contradição: cresce economicamente, mas não consegue transformar arrecadação e atividade industrial em serviços públicos eficientes.
A crítica central levantada por Sidney Leite expõe uma questão sensível para o estado: o desempenho da Zona Franca sustenta boa parte da economia amazonense, mas os indicadores sociais e administrativos ainda pressionam a população. Crescimento do PIB, por si só, não garante hospital funcionando, escola estruturada ou policiamento adequado. O desafio do governo é provar que a riqueza gerada pela indústria chega, de fato, aos serviços essenciais.












