Um barco azedou relação entre TJ-AM e Governo do Amazonas


A devolução de 30 convites encaminhados pelo Governo do Amazonas ao Tribunal de Justiça do Estado (TJ-AM) para o Festival Folclórico de Parintins não foi um gesto isolado.

Nos bastidores do Judiciário, o episódio é tratado como o ponto mais visível de um mal-estar que já vinha se acumulando entre os dois poderes.

Conforme apurou a reportagem junto a uma fonte da cúpula do Judiciário, o desconforto antecede a gestão do governador Roberto Cidade.

Contudo, o protocolo adotado pelo Executivo para formalizar os convites acabou aprofundando a crise institucional.

Segundo essa fonte, o presidente do TJ-AM, desembargador Jomar Fernandes, interpretou como inadequado o fato de o convite ter sido encaminhado pela Casa Civil e não diretamente pelo governador.

Nos bastidores, a avaliação é de que, por se tratar de uma relação entre chefes de poderes, o gesto politicamente esperado seria um convite pessoal do governador ao presidente do tribunal.

Mas, o estopim da crise teria vindo de outro episódio, envolvendo uma embarcação e um dos nomes mais influentes do Judiciário brasileiro.

De acordo com a fonte, havia uma articulação para que o Governo do Estado apoiasse a logística da viagem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao festival de Parintins.

O plano previa a utilização de uma embarcação para atender a agenda do magistrado.

A embarcação, porém, teria sido retirada da operação, provocando insatisfação nos bastidores.

Diante da situação, a alternativa encontrada foi incluir o ministro na estrutura que está sendo organizada pelo próprio Tribunal de Justiça para a viagem à ilha.

Ainda segundo a fonte, a devolução dos convites representa uma posição consolidada da presidência do TJ-AM e, neste momento, não há expectativa de recuo por parte de Fernandes.

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Foto: divulgação



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